A colina de Sebastia, ao norte de Nablus, na Cisjordânia, tornou-se o centro de uma acirrada disputa entre autoridades israelenses e palestinas. A posse do passado e o controle do presente estão em jogo em um dos mais complexos sítios arqueológicos do Oriente Médio.
No último ano, o governo de Israel iniciou medidas para desapropriar cerca de 202 hectares de terras privadas palestinas nos arredores de Sebastia. Foi destinado um orçamento de US$ 10 milhões para transformar a área, que abriga um rico patrimônio arqueológico, em uma atração turística.
Do outro lado, a Autoridade Palestina trabalha para que Sebastia seja reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, uma candidatura que a organização debate este mês na Coreia do Sul. Ambas as partes reivindicam a terra e sua história como suas.
A história de Sebastia remonta a pelo menos 3.000 anos, sendo identificada por arqueólogos como a antiga Samaria, capital do reino bíblico de Israel. O local foi reconstruído por Herodes, o Grande, e possui estruturas dos períodos romano, bizantino, árabe e das Cruzadas. A tradição local também aponta a área como o local de sepultamento de João Batista.
Atualmente, o sítio arqueológico está na Área C da Cisjordânia, sob total controle civil e de segurança de Israel, conforme os Acordos de Oslo. A cidade adjacente, no entanto, fica na Área B, com jurisdição mista. Moradores locais, cuja economia depende do turismo e da agricultura, expressam preocupação com a divisão e o futuro acesso.
Zaid Azhari, um promotor de turismo local, afirma que os habitantes já são impedidos de realizar trabalhos de conservação nas ruínas na área controlada por Israel. "Não consigo imaginar Sebastia sem o sítio arqueológico", disse ele à CNN, temendo que a desapropriação impeça completamente o acesso e destrua a economia da cidade.
A iniciativa em Sebastia faz parte de um programa mais amplo do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, chamado "Caminho, Terra, Patrimônio". Desde 2023, mais de US$ 82 milhões foram investidos em sítios arqueológicos na Cisjordânia. O projeto é supervisionado pelo ministro do Patrimônio, Amichai Eliyahu, do partido Otzma Yehudit.
"Estamos investindo em preservar nosso passado para assegurar nosso futuro", afirmou Netanyahu em maio. O ministro Eliyahu declarou à CNN que seu trabalho é restaurar a "verdadeira história" de Sebastia, que, segundo ele, sofreu com saques e danos por parte dos palestinos. "É território israelense. Pertence ao povo judeu", disse Eliyahu.
Grupos de vigilância israelenses, como a organização Emek Shaveh, apresentam uma visão diferente. O diretor Alon Arad argumenta que a política se concentra no controle territorial, não na preservação. "A Eliyahu não importam as antiguidades. Ele quer a anexação. As antiguidades são apenas uma desculpa", afirmou Arad, classificando as alegações de abandono palestino como um "argumento sumamente cínico".
O conflito em torno de Sebastia reflete uma luta mais ampla pelo território e pela narrativa histórica na Cisjordânia, que abriga milhares de sítios arqueológicos. A disputa não é apenas sobre pedras antigas, mas sobre o futuro das pessoas que vivem na região.








