Barueri, SP
Economia

Lula sanciona perdão de dívidas para microempreendedores individuais

Medida alcança débitos de R$ 12,6 bilhões de cerca de 3,6 milhões de empreendedores, mas especialistas alertam para riscos de desorganização financeira

Redação O Informantte·21/10/2026, 20:27·2 min de leitura
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Lula sanciona perdão de dívidas para microempreendedores individuais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a anistia de dívidas de microempreendedores individuais contraídas até 13 de outubro. A medida estabelecida pelo projeto de lei complementar alcança cerca de 3,6 milhões de pequenos negócios, cujos débitos somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. O texto aprovado também amplia o teto anual de faturamento da categoria para R$ 140 mil em 2028, permite a contratação de até dois empregados sob regras específicas e extingue a exigência de nota fiscal para NanoMEIs.

Apesar do alívio financeiro proporcionado pela sanção presidencial, especialistas em finanças afirmam que o cancelamento das dívidas não resolve por si só os problemas de administração que colocam os pequenos negócios no vermelho. De acordo com analistas, os três principais fatores que levam os microempreendedores ao endividamento são a dificuldade no acesso a crédito com condições adequadas, a falta de planejamento e a mistura recorrente entre despesas particulares e corporativas.

Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, programas desse formato produzem efeitos provisórios se o empresário mantiver falhas de gestão. O economista aponta que retirar recursos do caixa da empresa para pagar despesas domésticas ou faturas de cartão de crédito pessoal desorganiza as operações. Em seguida, a necessidade de recorrer a empréstimos com taxas elevadas agrava o quadro, prejudicando tanto as contas da pessoa física quanto as do negócio.

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Leal também diferencia os negócios abertos por oportunidade daqueles criados por necessidade. Ele afirma que o segundo modelo muitas vezes nasce sem planejamento estruturado, encarado como solução paliativa para obter renda rápida, o que reduz a capacidade de absorver períodos de baixa atividade. Para fortalecer o setor, o economista recomenda facilitar o acesso a financiamentos subsidiados e ampliar o uso das qualificações oferecidas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Na mesma linha, Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar, orienta a separação rigorosa entre os valores recebidos e os gastos familiares. O faturamento da empresa não pode ser interpretado diretamente como lucro livre para saque. Antes de qualquer retirada pessoal, o empreendedor deve liquidar fornecedores, impostos e custos operacionais, além de manter reservas destinadas a repor estoques e garantir o andamento da atividade.

Segundo Maciel, o sinal de alerta financeiro surge frequentemente antes mesmo da inadimplência explícita, quando o microempreendedor passa a cobrir gastos mensais com cheque especial, paga apenas o valor mínimo do cartão ou assume novos empréstimos para quitar financiamentos anteriores. Ao renegociar pendências, o planejador sugere comparar o Custo Efetivo Total (CET), priorizar obrigações como tributos e salários e avaliar se prazos mais longos com prestações menores não elevarão o custo final da dívida.

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