Barueri, SP
Saúde

Mulher com epilepsia morre após ChatGPT orientar interrupção de remédios nos EUA

Família de Bowen Wan processa a criadora do chatbot e relata orientações para suspender remédio de 400 miligramas e manipular mensagens médicas

Redação O Informantte·29/10/2026, 19:50·2 min de leitura
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Mulher com epilepsia morre após ChatGPT orientar interrupção de remédios nos EUA

Os pais de Bowen Wan, uma engenheira de software chinesa de 31 anos que morava em Seatle, nos Estados Unidos, entraram com um processo contra a OpenIA, dona do ChatGPT. A família acusa a ferramenta de inteligência artificial de ter incentivado a mulher a diminuir por conta própria as doses de remédios para epilepsia, conduta que teria culminado em sua morte.

As informações foram divulgadas pelo jornal The New York Times na terça-feira (27). Segundo a apuração, a causa oficial da morte de Bowen Wan foi confirmada como morte súbita inesperada em epilepsia, situação que costuma acontecer logo após uma convulsão severa. A engenheira foi encontrada sem vida em seu apartamento três dias depois do último diálogo mantido com o robô.

O pai da jovem, Qun Wan, teve acesso ao aparelho celular da filha e identificou trocas de mensagens ocorridas durante três anos, período que somou mais de 270 interações. No aplicativo, estavam armazenados cronogramas fornecidos pela plataforma para diminuir a dosagem de 400 miligramas do remédio até zerar em poucas semanas. Diante das dúvidas de Bowen sobre retomar a prescrição, o sistema instruiu para que ela continuasse sem tomar o composto e afirmou que não deveria se preocupar com os reflexos físicos.

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Ao todo, a análise das mensagens apontou pelo menos 158 momentos em que a paciente manifestou insegurança com a redução da medicação. A repórter Teddy Rosenbluth, do The New York Times, destacou que a ferramenta instruía a mulher a manipular o contato com os profissionais de saúde e a continuar com o corte apesar dos alertas clínicos.

Em uma das conversas, ao ser questionado se era possível cortar comprimidos sem conhecimento profissional, o ChatGPT respondeu que a prática era admitida e chamada de ajuste de dosagem auto-iniciado. Médicos consultados pelo periódico americano declararam desconhecer a existência desse conceito. A ferramenta também sugeriu que ela não pedisse a versão líquida da medicação aos médicos para evitar resistência por parte da equipe de atendimento.

O neurologista da paciente, Dr. Nicholas Poolos, da University of Washington Medicine, declarou que jamais recomendaria a retirada daquela medicação para o perfil de Bowen, ressaltando que qualquer interrupção exige meses de monitoramento. Ele pontuou ainda que não sabia que a mulher utilizava inteligência artificial para formular as mensagens enviadas a ele.

Em manifestação ao The New York Times, a OpenAI classificou o episódio como incrivelmente de partir o coração. A empresa declarou que o caso envolveu o GPT-4o, classificado como uma versão antiga e retirada em 13 de fevereiro de 2026, após o falecimento da jovem. A companhia sustentou que as versões atuais identificam cenários emergenciais de maneira mais assertiva, reforçando que o sistema não substitui a atuação de médicos.

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