O Pentágono decidiu substituir o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que opera no Oriente Médio, segundo informou uma autoridade dos Estados Unidos à CNN. A embarcação será rendida pelo USS George Washington em meio a crescentes preocupações com o bem-estar de sua tripulação.

Relatos sobre cansaço, desânimo e problemas de saúde mental entre os mais de cinco mil marinheiros a bordo levaram a questionamentos por parte do Congresso americano e de familiares. A situação ganhou destaque após a tripulação completar mais de 250 dias em operação contínua, sem atracar em um porto há mais de 200 dias.

De acordo com o veículo de imprensa Stars and Stripes, que cita fontes entre familiares e marinheiros, a tripulação do USS Lincoln estaria enfrentando escassez de alimentos e água, interrupção no serviço postal e longas jornadas de trabalho com pouco descanso. A mesma publicação relatou um incidente em que um tripulante teria sido impedido por vigias de pular da embarcação.

Em outro episódio, noticiado pela CNN, um marinheiro caiu no mar no mês passado, mas foi resgatado rapidamente e submetido a uma avaliação médica. As circunstâncias da queda não foram esclarecidas.

Em resposta às preocupações, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os relatos sobre condições precárias a bordo foram "totalmente distorcidos". Durante uma visita ao Panamá, ele declarou a jornalistas: "Garantimos que cada navio, cada tripulação e cada capitão tenham tudo o que podemos oferecer a qualquer momento. Algumas missões são mais longas do que outras, e tenho o maior respeito e gratidão por esses marinheiros".

Comissionado em 1989, o USS Abraham Lincoln é o quinto dos dez porta-aviões da classe Nimitz da Marinha dos EUA. Com quase 335 metros de comprimento e deslocando mais de 100 mil toneladas, a embarcação é uma das maiores do mundo. É movido por dois reatores nucleares, atinge uma velocidade de até 56 km/h e transporta 90 aeronaves, incluindo caças F-35 e F/A-18.