A Polícia Federal avalia solicitar aos Estados Unidos a extradição do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A possibilidade surgiu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o início do cumprimento da pena do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As autoridades brasileiras agora consideram oficialmente Eduardo Bolsonaro como procurado. Segundo a PF, o status técnico de procurado se aplica porque ele ainda pode se apresentar voluntariamente no Brasil. Caso não o faça, será classificado como foragido.
Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de reclusão em regime inicial semiaberto pelo crime de coação no curso do processo, de forma continuada. A sentença também inclui uma multa de 50 dias-multa, com cada dia-multa fixado em dois salários mínimos, totalizando R$ 162 mil.
Além da pena de reclusão e da multa, Moraes determinou a suspensão dos direitos políticos do ex-deputado pelo período da condenação e o cancelamento de todos os passaportes emitidos em seu nome.
O ex-parlamentar reside nos Estados Unidos desde o início do ano passado. Segundo ele, a mudança ocorreu após sofrer perseguição política no Brasil. No país norte-americano, ele atua como um interlocutor entre a família Bolsonaro e autoridades locais.
De acordo com o STF, o ex-deputado teria usado sua influência nos EUA para tentar interferir no processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em julho deste ano, o governo americano concedeu um green card a Eduardo, documento que garante sua residência permanente no país e que pode dificultar um eventual processo de extradição.
Em nota, Eduardo Bolsonaro afirmou que Moraes "mais uma vez tumultua o país com uma decisão arbitrária, inoportuna e inócua". Para o ex-deputado, "o único efeito prático desse ato, tomado deliberadamente no meio do processo eleitoral, é acirrar ainda mais, e sem nenhuma necessidade, os ânimos do país".