A crescente população de pombos domésticos (Columba livia) nas áreas urbanas de Barueri tornou-se um tema de saúde pública. A Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente (Sema) de Barueri, por meio do Departamento de Saúde e Bem-estar Animal, iniciou uma campanha para orientar a população sobre os riscos associados a essas aves e a maneira correta de controlar sua proliferação, sem cometer crime ambiental.
O principal alerta das autoridades de saúde está ligado ao potencial de transmissão de doenças. As fezes dos pombos, quando secas, podem conter fungos e bactérias que, ao serem inalados com a poeira, causam problemas de saúde. Estima-se que os pombos possam estar associados a cerca de 50 tipos de enfermidades, sendo a criptococose, a histoplasmose e a salmonelose algumas das mais conhecidas. A criptococose, por exemplo, é uma infecção fúngica que afeta principalmente os pulmões e o sistema nervoso central, representando um risco maior para pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Segundo especialistas, a superpopulação de pombos em cidades como Barueri está diretamente ligada à oferta de alimento, água e abrigo, fatores que são, em grande parte, proporcionados involuntariamente pelos próprios moradores. Um único casal de pombos pode gerar até 12 filhotes por ano, um ciclo reprodutivo rápido que é intensificado pela disponibilidade de comida fácil. Por isso, a principal recomendação da prefeitura é categórica: não alimentar os pombos.
Fornecer migalhas de pão, restos de comida ou grãos específicos para as aves contribui diretamente para o desequilíbrio populacional. A prática, embora pareça inofensiva ou até um ato de caridade, resulta no aumento descontrolado do número de animais e, consequentemente, na maior concentração de fezes em locais públicos e privados, como praças, telhados, janelas e sistemas de ar-condicionado.
É fundamental que a população entenda a diferença entre controle e extermínio. Matar, perseguir ou maltratar pombos é crime ambiental, previsto na Lei Federal nº 9.605, de 1998. A legislação estabelece pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem pratica atos de abuso ou maus-tratos contra animais silvestres, domésticos ou domesticados. Portanto, qualquer ação violenta contra as aves é ilegal e passível de punição.
As medidas de controle recomendadas pela prefeitura são passivas e focadas em tornar o ambiente menos atrativo para os pombos. A primeira e mais eficaz, como já mencionado, é a suspensão total do fornecimento de alimentos. Também é importante não deixar água exposta em recipientes que possam servir de bebedouro para as aves. Manter o lixo doméstico bem acondicionado em sacos fechados e latões com tampa, além de não deixar restos de ração de animais de estimação expostos, são ações complementares essenciais.
Para quem sofre com a presença constante das aves em imóveis, a orientação é a instalação de barreiras físicas. O uso de espículas (hastes pontiagudas que impedem o pouso), telas de proteção em vãos, varandas e janelas, e a aplicação de géis repelentes específicos são métodos eficazes e que não machucam os animais. A vedação de buracos e frestas em telhados e forros também é crucial para impedir que os pombos façam ninhos nesses locais.
Caso seja necessário limpar áreas com acúmulo de fezes, o Departamento de Saúde e Bem-estar Animal de Barueri recomenda cuidados especiais para proteger a saúde. O ideal é umedecer previamente as fezes com uma solução de água e água sanitária, para evitar a dispersão de poeira contaminada. O uso de equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, é indispensável durante a limpeza.
O pombo doméstico é classificado como um animal sinantrópico, ou seja, uma espécie que se adaptou a viver junto ao homem, aproveitando as condições oferecidas pelas cidades. O controle populacional, portanto, depende de uma mudança de hábitos da própria população. A gestão ambiental urbana, neste caso, é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público, que orienta e fiscaliza, e o cidadão, que adota as práticas corretas no seu dia a dia para garantir um ambiente urbano mais saudável e equilibrado para todos.







