A inteligência artificial (IA) já marca presença na pré-campanha presidencial, sendo utilizada na criação de jingles, sátiras, ataques e cenas fictícias envolvendo os pré-candidatos, seus aliados e apoiadores. A tecnologia tem sido empregada para criar situações que nunca aconteceram na realidade.

Entre os exemplos, estão vídeos que mostram o governador Romeu Zema (Novo) cantando sobre Minas Gerais e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pilotando um caça ou capturando um ladrão de celular. Outro caso é o de Renan Santos (Missão), que usou IA em um vídeo sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

No campo do presidente Lula (PT), parlamentares utilizaram a tecnologia para recontar sua trajetória, e o próprio perfil oficial do presidente compartilhou um vídeo com uma música cuja voz foi produzida por IA, a partir da composição de uma apoiadora.

Um levantamento do Observatório IA nas Eleições, divulgado em março com dados até fevereiro, apontou que a média diária de conteúdos políticos com IA cresceu 50% em comparação ao período eleitoral de 2024. Segundo o estudo, 45% desses materiais eram desinformativos e 73% não sinalizavam o uso da tecnologia.

Carla Rodrigues, coordenadora de Plataformas e Mercados Digitais da Data Privacy Brasil e integrante do projeto, afirma que o ritmo de produção aumentou ainda mais desde a divulgação do levantamento. "Estamos atualizando esses números, mas já notamos um crescimento muito maior. Quanto mais perto [das eleições], a tendência é que cresça o volume de conteúdos, sobretudo de imagens negativas", declarou.

As regras eleitorais sobre o uso de IA já estão em vigor na pré-campanha e exigem que o uso da tecnologia seja identificado. Próximo à data da votação, o TSE proíbe a criação de novos conteúdos sintéticos com candidatos ou pessoas públicas, incluindo republicações. As normas também se aplicam a conteúdos produzidos por eleitores e redes de apoiadores, que podem levar à investigação da campanha beneficiada em casos graves.

Um precedente internacional ocorreu nas eleições legislativas de Buenos Aires em 2025. Na ocasião, deepfakes foram usados para simular que Mauricio Macri e Silvia Lospennato anunciavam a retirada da candidatura dela para apoiar Manuel Adorni, horas antes do início da votação.