A decisão da Rússia de proibir temporariamente suas exportações de diesel está provocando uma forte alta nos preços internacionais do combustível, com reflexos diretos para o Brasil. O movimento acontece após ataques ucranianos danificarem refinarias russas, levando o governo local a priorizar o abastecimento interno.
O impacto no mercado global foi imediato. Em um mês, a principal referência europeia para o diesel (ICE Low Sulphur Gasoil) subiu cerca de 33%, enquanto o petróleo Brent avançou 10,3% no mesmo período. A diferença mostra que a pressão não está apenas na matéria-prima, mas na capacidade de refino e na disponibilidade do produto.
A proibição russa está prevista para terminar em 31 de julho, mas os danos estruturais devem manter a oferta restrita por mais tempo. A refinaria de Moscou, por exemplo, pode ficar paralisada por pelo menos seis meses. Estimativas de mercado apontam que quase 40% da capacidade de refino da Rússia pode ficar indisponível por no mínimo dois meses.
O cenário afeta diretamente o Brasil, que em junho se destacou, ao lado da Turquia, como um dos principais compradores do diesel russo. Com a restrição, o país precisa buscar o combustível em mercados como Estados Unidos, Oriente Médio e Ásia, onde a concorrência com compradores europeus eleva os custos.
Essa substituição, embora possível, tende a ser mais cara, envolvendo não apenas o preço do produto, mas também maiores despesas com frete, seguro e prazos de entrega. A alta externa, contudo, não chega de forma automática às bombas brasileiras, sendo influenciada pelo câmbio, pelos estoques e pela política comercial da Petrobras.
Para amortecer o impacto, o governo federal conta com uma subvenção de R$ 1,12 por litro, válida de junho a dezembro, o que transfere o custo para o orçamento público. Se a valorização internacional persistir, os efeitos devem se espalhar por setores estratégicos como transporte rodoviário, agronegócio, mineração e indústria, pressionando a inflação por meio do frete e dos custos de produção.
A crise também reacende o debate sobre o aumento da mistura de biodiesel no diesel vendido no país. O Brasil já utiliza a mistura B15 (15% de biodiesel) e realiza testes para percentuais maiores, como o B25. Uma elevação tecnicamente segura poderia reduzir a dependência do diesel fóssil importado, mas exige planejamento de longo prazo e não funciona como uma solução improvisada.








