Um levantamento revelou um cenário alarmante na educação brasileira: mais de 65% dos professores afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão, seja verbal ou física, dentro do ambiente escolar. O dado, divulgado pela BBC, coloca o Brasil no topo de um ranking da OCDE sobre violência contra educadores.
O cotidiano de ameaças é ilustrado pelo caso da professora Marta, que atua há 26 anos no magistério. Em março de 2023, ela foi ameaçada de morte pelo pai de um aluno de apenas 6 anos, em uma escola municipal na Zona Oeste de São Paulo. A ameaça foi feita por telefone à coordenação da escola. "Ele ligou na escola e falou que 'ia matar aquela vagabunda'", relatou a professora, que teve o nome preservado.
Segundo Marta, o agressor era conhecido na comunidade por seu suposto envolvimento com o crime e estava insatisfeito com o desempenho escolar do filho. A família culpava a professora pelas dificuldades de adaptação da criança ao 1º ano do ensino fundamental. Após o episódio, a professora registrou um boletim de ocorrência, mas se sentiu desamparada pela gestão da escola.
Com medo, ela optou por não representar criminalmente contra o pai do aluno. "Passei a noite na delegacia e me senti muito sozinha, não teve ninguém da gestão junto comigo", contou. Abalada psicologicamente, a professora foi afastada por uma psiquiatra e posteriormente transferida de unidade pela Prefeitura. "Meu problema psicológico foi horroroso. Fiquei com pânico de dormir", desabafou.
A situação de Marta não é isolada. Outros casos recentes incluem o do professor Pedro, agredido com um soco em 2024, e o da docente Michelle Bernardes, que teve um dedo parcialmente amputado ao tentar conter a crise de um estudante. Como reflexo desse ambiente hostil, a rede estadual de São Paulo concedeu mais de 42 mil licenças a professores por transtornos mentais apenas em 2024.







