Pelo menos duas pessoas morreram e outras 27 estão infectadas após um surto de um vírus raro e ainda não identificado a bordo do navio de cruzeiro Majestic Seas, que navegava pelo Oceano Atlântico. A informação foi confirmada por autoridades sanitárias internacionais, que acionaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) para investigar o caso e conter a disseminação da doença.
O navio, que transporta aproximadamente 3.200 passageiros e 1.100 tripulantes, foi colocado em quarentena no porto de Lisboa, em Portugal, onde atracou na manhã desta quinta-feira (3). As vítimas fatais são dois homens, um de nacionalidade americana, de 67 anos, e outro canadense, de 72 anos. Ambos, segundo o comunicado da empresa Royal Horizon, proprietária da embarcação, possuíam comorbidades que agravaram o quadro clínico.
A OMS enviou uma equipe de resposta rápida para a capital portuguesa para colher amostras biológicas e tentar identificar o agente causador da doença. Os primeiros relatos indicam que os infectados apresentam um quadro de febre alta, dores musculares intensas, seguidas de complicações respiratórias e neurológicas, sintomas que não correspondem, inicialmente, a doenças virais conhecidas por circularem em ambientes como navios.
Em nota, a Royal Horizon lamentou as mortes e afirmou que está "colaborando plenamente com a OMS e as autoridades de saúde portuguesas". A empresa também informou que suspendeu novos embarques e que todos os passageiros e tripulantes a bordo do Majestic Seas passarão por testes e avaliações médicas. "A saúde e a segurança de nossos hóspedes e tripulantes são nossa prioridade máxima", diz o comunicado.
Passageiros a bordo relatam um clima de tensão e incerteza. Em mensagens enviadas a familiares, alguns descrevem o isolamento em suas cabines e a constante presença de equipes médicas vestidas com trajes de proteção. O acesso às áreas comuns do navio foi restringido e todas as atividades de entretenimento foram canceladas para evitar novos contágios.
Surtos em navios de cruzeiro não são incomuns, dada a alta densidade de pessoas em um ambiente fechado, o que facilita a propagação de patógenos. Historicamente, o norovírus é o agente mais comum, causando surtos de gastroenterite. A pandemia de Covid-19 também gerou casos emblemáticos, como o do navio Diamond Princess, que ficou em quarentena no Japão em 2020 com mais de 700 infectados.
Contudo, a letalidade e os sintomas neurológicos observados no surto do Majestic Seas preocupam os especialistas. A principal hipótese é que se trate de um vírus zoonótico, que pode ter saltado de um animal para humanos em um dos portos visitados pelo navio antes de cruzar o Atlântico. O roteiro da embarcação, que partiu do Caribe, incluiu paradas em ilhas que são habitat de espécies exóticas, o que aumenta o escopo da investigação epidemiológica.
O Regulamento Sanitário Internacional, um instrumento jurídico da OMS, prevê protocolos rígidos para situações como essa, incluindo o isolamento da embarcação, a notificação global do evento e a cooperação entre países para conter ameaças à saúde pública. As autoridades portuguesas, em conjunto com a OMS, estão agora focadas em rastrear os contatos de todos os infectados para entender a cadeia de transmissão e avaliar o risco de o vírus se espalhar em terra.
A comunidade científica internacional aguarda com expectativa os resultados das análises laboratoriais para a identificação do novo vírus. A caracterização do genoma do patógeno é um passo crucial para o desenvolvimento de testes de diagnóstico rápido e, futuramente, de tratamentos e vacinas. Enquanto isso, o Majestic Seas permanece como um foco de atenção global, um lembrete da vulnerabilidade do mundo moderno a novas e desconhecidas ameaças virais.







