Uma comitiva com mais de 70 brasileiros, incluindo representantes de 11 setores do agronegócio, especialistas e políticos, está em Washington para uma audiência decisiva no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O objetivo é demover o governo americano da ideia de manter as tarifas comerciais impostas pela gestão de Donald Trump, conhecidas como seção 301.
A principal estratégia do setor produtivo brasileiro é focar nas consequências econômicas para os próprios Estados Unidos. A argumentação, que será apresentada na próxima segunda-feira (6), sustenta que a sobretaxa sobre matérias-primas do Brasil resultará em aumento de preços e pesará no bolso do consumidor americano.
O setor de café é um exemplo. Aguinaldo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), explicou que os EUA já foram os maiores compradores do produto brasileiro, mas perderam o posto para a Alemanha após a manutenção de uma tarifa de 10%. Segundo ele, a indústria americana já sente a falta do café do Brasil em seus blends, e qualquer nova taxa levaria a uma alta no preço final da bebida no país.
No segmento de carnes, a situação é similar. Analistas apontam que, mesmo com tarifas, frigoríficos de origem brasileira com plantas em países vizinhos continuarão abastecendo o mercado americano. Isso ocorre em um momento crítico para os EUA, cujo rebanho bovino está no menor nível em 70 anos. Na prática, os consumidores americanos continuariam a consumir produtos ligados ao Brasil.
Apesar da articulação brasileira, há resistência. A associação de produtores de etanol dos EUA, a Renewable Fuels Association (RFA), defende a imposição de tarifas recíprocas, alegando prática comercial desleal por parte do Brasil. A RFA encomendou uma pesquisa que mostra forte apoio popular (74%) a políticas de mistura de biocombustíveis e à independência energética, argumento que usam para justificar a proteção ao mercado interno.
A audiência será dividida em 14 painéis, com início às 10h de Washington. Cada representante terá cinco minutos para apresentar um resumo de seus argumentos, que já foram enviados por escrito até o dia 1º de julho. A expectativa é de um debate rápido e focado nos impactos econômicos.
Participarão da audiência pelo agronegócio brasileiro: Andressa Silva (Associação Brasileira da Indústria do Arroz), Vinicius Vanzella (Associação dos Fabricantes de Gelatina da América do Sul), Marcelo Schunn Junqueira (Sociedade Rural Brasileira), Fernanda Carneiro (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Marcos Matos (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), José Luiz Pimenta Junior (ABICS), João Marcelo Messas (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel), Andrea Almeida (União Nacional do Etanol de Milho), Welber Barral (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e Indústria Brasileira de Árvores) e Gian Carlo Almeida Marodin (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente).






