O bilionário Bill Gates prestou depoimento a portas fechadas no Capitólio nesta quarta-feira (10). O testemunho foi solicitado pelo Comitê de Supervisão da Câmara após a divulgação de arquivos sobre Jeffrey Epstein, que levantaram novas dúvidas sobre a relação do fundador da Microsoft com o falecido criminoso sexual.

Ao chegar ao local, Gates afirmou a repórteres que estava "feliz por estar ali voluntariamente para depor e ajudar no trabalho da comissão". Ele expressou a esperança de que seu depoimento seja útil para "encontrar justiça para as vítimas".

A convocação ocorreu depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou um conjunto de documentos com alegações não verificadas e detalhes sobre uma coordenação filantrópica entre Gates e Epstein, mais aprofundada do que se conhecia.

Entre os documentos, estão dois rascunhos de e-mails, aparentemente escritos por Epstein em julho de 2013. Neles, Epstein parece alegar que facilitou encontros sexuais para Gates e o ajudou a obter medicamentos para esconder uma infecção sexualmente transmissível de sua então esposa, Melinda. Não está claro quem escreveu as mensagens ou se foram enviadas.

Um dos rascunhos alega que Epstein ajudou Gates a conseguir drogas "para lidar com as consequências do sexo com garotas russas" e Adderall para torneios de bridge. Outro rascunho descreve um suposto pedido de Gates, em lágrimas, para que o financista apagasse mensagens sobre uma DST e detalhes pessoais explícitos.

As alegações contidas nos rascunhos não foram verificadas ou corroboradas, e Gates não foi acusado de qualquer crime relacionado a Epstein. Um representante do bilionário classificou as alegações como "absolutamente absurdas e completamente falsas" em declaração anterior à CNN. "A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e os extremos a que ele chegaria para armar uma cilada e difamá-lo", afirmou o porta-voz.

O próprio Gates, em entrevista a uma afiliada da CNN na Austrália em fevereiro, disse: "Aparentemente, Jeffrey escreveu um e-mail para si mesmo. Esse e-mail nunca foi enviado, o e-mail é falso. [...] Isso só me lembra que me arrependo de cada minuto que passei com ele e peço desculpas por isso".

O presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, o republicano James Comer, disse à CNN que não há limitações para as perguntas. "Não estou acusando Bill Gates de qualquer irregularidade. Sabemos que ele passou muito tempo com o Sr. Epstein. Só queremos perguntar o que ele sabia", declarou Comer.

O deputado democrata Robert Garcia, principal democrata na comissão, considerou "muito preocupante" o fato de Gates ter mantido contato com Epstein após sua condenação em 2008 por acusações ligadas à prostituição. "Queremos saber o que o Sr. Gates sabia, quem mais estava em seu círculo de influência e por que o sr. Gates continuou a ter contato com o Sr. Epstein", disse Garcia.

Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça contêm centenas de referências a Gates, detalhando agendas de reuniões, refeições e telefonemas. As interações documentadas, como um jantar em 2010 e um encontro na Noruega em 2012, ocorreram após a condenação de Epstein.