A Câmara Municipal de São Paulo rejeitou, na manhã desta terça-feira (3), o pedido de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). O relatório apresentado pelo vereador Major Palumbo (PP), favorável ao arquivamento do processo, recebeu cinco votos a favor e dois contrários durante reunião de comissão especial presidida pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil).
A denúncia contra a administração municipal foi protocolada pelos parlamentares Amanda Paschoal (PSOL-SP), Celso Giannazi (PSOL-SP) e Silvia da Bancada Feminista (PSOL-SP). O documento acusava a gestão do Executivo de cometer infrações político-administrativas e crimes de responsabilidade com base em suposta redução da frota de ônibus na capital durante o segundo turno das eleições.
Ao analisar a representação na comissão, Major Palumbo afirmou que não existiam indícios de que o prefeito tivesse reduzido a quantidade de coletivos em circulação na cidade ou causado prejuízos à votação. A representação dos parlamentares da oposição tinha respaldo no artigo 73 da Lei Orgânica do Município e no Decreto-Lei nº 201/1967, apontando infração à probidade administrativa e descumprimento de ordem judicial.
O caso teve início após a coligação Brasil Pronto Pra Mais, do presidente Lula (PT), recorrer à Justiça Eleitoral sob a alegação de que a Prefeitura de São Paulo teria disponibilizado apenas 60% dos veículos no dia da votação presidencial. Anteriormente, o juiz Tiago Ducatti Machado, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, havia determinado que a administração municipal garantisse 100% da frota com base na Resolução TSE 23.751/2026, exigindo frequência equivalente à dos dias úteis.
Na época, a gestão municipal declarou que o transporte operou normalmente e atendeu com folga a demanda de passageiros. Ricardo Nunes afirmou que 8.814 ônibus circularam no domingo, correspondendo a 71% da frota total de 12 mil veículos, e pontuou que o comunicado às concessionárias foi despachado às 13h32, minutos após o recebimento da notificação judicial às 13h10.
Em nota oficial emitida no dia 25 de outubro, a prefeitura criticou a determinação do Tribunal Regional Eleitoral expedida a menos de 24 horas da votação, destacando que o plano de atendimento havia sido apresentado previamente e sem contestações. O Executivo paulistano informou que no primeiro turno operaram 6,9 mil ônibus com 40% de reforço para atender 3,4 milhões de passageiros, e confirmou que a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans repassaram a ordem judicial às empresas operadoras do sistema.