Pesquisadores estão desenvolvendo uma nova abordagem no combate ao câncer que pode reduzir drasticamente os efeitos colaterais dos tratamentos convencionais. A estratégia consiste em modificar bactérias para que elas identifiquem e destruam tumores, preservando ao máximo as células e tecidos saudáveis do paciente.

Os tratamentos atuais, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia, enfrentam um desafio central: a dificuldade de atacar apenas as células cancerosas. Com frequência, tecidos sadios próximos a um tumor são danificados em procedimentos cirúrgicos e de radiação. Já a quimioterapia, ao mirar em células de crescimento rápido, atinge não apenas o câncer, mas também folículos capilares e o revestimento do estômago, causando conhecidos efeitos colaterais.

A nova linha de pesquisa, divulgada em 21 de julho de 2026, recruta um aliado inusitado: as bactérias anaeróbicas. Esses micro-organismos não sobrevivem em ambientes ricos em oxigênio, como os tecidos saudáveis do corpo humano, que são bem irrigados por vasos sanguíneos.

Em contrapartida, os tumores cancerosos oferecem um ambiente ideal para essas bactérias. À medida que crescem, o suprimento de sangue para o interior do tumor se torna irregular e ineficiente. Isso gera regiões com baixíssima concentração de oxigênio.

É nesse cenário que as bactérias anaeróbicas entram em ação. O ambiente com pouco oxigênio dentro do tumor funciona como um nicho perfeito para a proliferação desses micro-organismos, permitindo que eles infectem e ataquem as células doentes de maneira localizada, sem conseguir prosperar nos tecidos saudáveis e oxigenados ao redor.