Uma nova projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o Brasil pode ter 4,1 mil produtos sobretaxados pelos Estados Unidos, em uma medida que afetaria o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações. A entidade participa nesta semana de uma audiência em Washington para avaliar a imposição das novas tarifas.
Segundo a CNI, a taxação adicional sobre os produtos brasileiros pode chegar a 37,5%. A proposta em análise pelo escritório comercial dos EUA (USTR) prevê duas frentes de taxação. A primeira é uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com base na chamada Seção 301, que permite ações contra políticas consideradas danosas ao comércio americano. O órgão cita políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal como justificativas.
A segunda medida é uma tarifa adicional de 12,5%, resultado de uma investigação sobre trabalho forçado que incluiu o Brasil entre quase 90 nações. De acordo com o USTR, esses países não estariam aplicando de forma efetiva restrições à importação de bens produzidos sob tais condições. A soma das duas propostas resulta na alíquota total de 37,5%.
A CNI destaca que, entre os principais produtos exportados para os Estados Unidos, o Brasil é o principal fornecedor de 11 deles. A lista de itens industriais que seriam mais afetados inclui ferro-gusa não ligado, açúcar de cana, sebo não comestível, álcool etílico não desnaturado, molduras de madeira, tabaco, compensado de pinus e granito.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a medida pode gerar custos para empresas, consumidores e cadeias produtivas de ambos os países. "O aumento compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana", afirmou Alban.
A audiência pública sobre o tema começou na segunda-feira (6) e se estende até esta terça (7). O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representa a CNI na sessão. Dos 80 inscritos para se manifestar, a expectativa é que 66 se posicionem contra as tarifas. A decisão final do governo americano deve ser anunciada na próxima quarta-feira (15).






