A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 e a consequente redução da jornada ganhou uma análise crítica do economista Gesner Oliveira. Para o colunista do CNN Money, o principal problema da proposta é o ritmo acelerado com que o tema avança, motivado pelo “tempo eleitoral” em detrimento do “tempo econômico”.
Segundo Oliveira, a medida é "obviamente simpática", pois na prática representa um aumento do salário por hora ao reduzir a jornada sem alterar a remuneração. "Coincidentemente, em setembro ou outubro, época da eleição, os trabalhadores vão perceber que há uma mudança na jornada de trabalho que parece positiva", observou o economista.
Ele alerta, contudo, que o impacto real pode ser negativo. Com base em um estudo que utilizou dados da RAIS e da PNAD do IBGE, Oliveira projeta uma perda de aproximadamente meio milhão de postos de trabalho. A razão, explica, é que a produtividade brasileira está estagnada, diferentemente de países como Holanda e França, que adotaram jornadas menores.
"Aqui, na verdade, você tende a manter a produtividade e aumentar o salário por hora, reduzindo a demanda por mão de obra e reduzindo os postos de trabalho", afirmou. Ele pontuou que a taxa de crescimento da produtividade no Brasil foi inferior a 1% ao ano entre 1990 e 2024, enquanto a China registrou 8% e a Índia, 5%.
O economista lembrou que o Brasil já passou por uma experiência similar com a Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais. "Não há nenhuma evidência de aumento de produtividade que tenha acompanhado essa redução da jornada de trabalho no final dos anos 80", disse.
O impacto seria ainda maior para as pequenas e médias empresas. Citando dados do IPEA, Oliveira destacou que 87% dos trabalhadores com jornada superior a 40 horas estão nesse segmento, para o qual o próprio IPEA admite um elevado impacto de custo.
Questionado sobre a possibilidade de o governo oferecer contrapartidas ao setor produtivo para mitigar o aumento de custos, o economista foi categórico: "Não há espaço fiscal".
Como alternativa, Gesner Oliveira defendeu a PEC por horas trabalhadas, de autoria do senador Rogério Marinho. Para ele, a proposta é mais adequada à realidade do mercado de trabalho por permitir maior flexibilidade na negociação da jornada. "Sempre o que vem como uma coisa rígida de Brasília para o país inteiro, para todos os setores, sempre é algo que não vai funcionar direito", concluiu.









