A Polícia Federal, em uma ação conjunta com o Ministério Público Federal, deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure. A ofensiva busca aprofundar as investigações sobre fraudes contábeis na Americanas, estimadas em aproximadamente R$ 54 bilhões.
Por determinação da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, foi ordenado o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite do prejuízo apurado. Agentes federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de São Paulo (SP).
Segundo a Polícia Federal, as apurações indicam a suspeita dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa. Os investigados teriam conhecimento das fraudes contábeis, que estariam relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), supostamente registrados sem o devido lastro econômico.
Entre os alvos da operação estão os executivos de bancos Alexandre Abdo e André Almeida, do Santander; Carlos Henrique Villela Pedras, do Bradesco; e José Rudge, do Itaú. Os acionistas de referência da Americanas também foram alvo da PF.
Em nota, os acionistas de referência afirmaram ter sido surpreendidos pela operação e disseram que as investigações apontam que foram continuamente enganados pela antiga diretoria da companhia. Eles reiteraram o compromisso de colaborar com as autoridades, como afirmam fazer desde janeiro de 2023.
O Itaú informou que não é investigado, mas que colabora ativamente com as autoridades e que sofreu perdas bilionárias com o episódio. O banco destacou que já comprovou a lisura de sua conduta, citando que recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços.
O Santander declarou que está ao lado das partes prejudicadas e que segue colaborando com as apurações. O Bradesco, por sua vez, comentou que acompanha o caso e está à disposição das autoridades.
A Americanas afirmou que não foi alvo de mandados de busca e que a operação se refere à fraude revelada em 2023. A companhia declarou ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos e que seguirá colaborando com as investigações.









