A Petrobras anunciou que vai reajustar o preço de venda da gasolina de suas refinarias para as distribuidoras a partir desta sexta-feira. O valor final para as empresas subirá R$ 0,04 por litro, passando de R$ 2,57 para R$ 2,61, o que representa uma alta de 1,5%.
O aumento, na realidade, será de R$ 0,48 por litro. Contudo, a estatal aplicará um desconto de R$ 0,44, repassando a subvenção para a gasolina aprovada recentemente pelo governo federal. Sem o subsídio, o reajuste total nas refinarias alcançaria 17,12%.
A medida foi oficializada após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, na última segunda-feira, o decreto que estabeleceu o subsídio de R$ 0,44 por litro. A iniciativa terá um custo de R$ 1,2 bilhão por mês para as contas públicas e foi implementada por meio de Medida Provisória, que prevê a renúncia de tributos como PIS, Cofins e Cide pelos próximos dois meses, com reavaliação posterior.
A subvenção é uma das ações do governo para mitigar os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional, que disparou após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de fevereiro. Na época, a cotação do barril tipo Brent saltou da casa dos US$ 70 para mais de US$ 110. Nesta quinta-feira, o barril operava estável, cotado a US$ 95.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia sinalizado que o reajuste da gasolina era inevitável e ocorreria "já já", ao comentar a defasagem dos preços no país. Mesmo com a alta, a Abicom, associação que representa as importadoras, afirma que a defasagem em relação ao mercado externo continua em patamar elevado.
Para Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, o aumento era necessário, mas a lógica do subsídio é equivocada. "O dinheiro público da subvenção está sendo usado para ajudar o caixa da Petrobras, para que a companhia não precise reajustar os preços. Mas o reajuste faz sentido", afirmou. Segundo ele, pela defasagem atual, o reajuste deveria ter sido maior.
O último movimento no preço da gasolina havia ocorrido em janeiro deste ano, com uma queda de R$ 0,14. Já o diesel sofreu alta de R$ 0,38 por litro em março, para R$ 3,65, após o início do conflito no Oriente Médio. O governo também já havia criado subsídios para o diesel e para o GLP, o gás de botijão.









