Em um gesto forte e de grande repercussão em Brasília, o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma defesa pública e enfática da carreira de Jorge Messias, o atual advogado-geral da União. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (22), durante a sessão solene de posse do novo ministro da Corte, Flávio Dino. Segundo Gilmar, “a história saberá fazer justiça à trajetória” de Messias.

O elogio do ministro, o mais antigo em atividade no STF, não foi casual. Ele representa um movimento de reconhecimento público a um dos nomes mais importantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja carreira foi marcada por um episódio de alta voltagem política em 2016, nos últimos dias do governo de Dilma Rousseff (PT).

Jorge Messias, então subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, ficou nacionalmente conhecido pelo apelido de “Bessias”. Ele foi o interlocutor citado por Dilma em um telefonema com Lula, que teve o sigilo quebrado por ordem do então juiz Sergio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato. Na conversa, a então presidente afirmava que enviaria Messias com o termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil, para ser usado “em caso de necessidade”. A oposição interpretou a manobra como uma tentativa de conceder foro privilegiado a Lula, investigado na época.

A menção de Gilmar Mendes, quase oito anos depois, busca resgatar a imagem de Messias como um servidor público de carreira, com uma trajetória que vai muito além daquele episódio. O decano do STF fez questão de destacar qualidades como seriedade, competência e discrição do advogado-geral, afirmando que Messias tem prestado um serviço de grande relevância ao Estado brasileiro.

Emocionado, Jorge Messias agradeceu as palavras do ministro por meio de suas redes sociais. “Agradeço, sensibilizado, as palavras do ministro Gilmar Mendes na sessão de posse do ministro Flávio Dino no STF. Vindo do decano da Corte, um dos maiores juristas do país, o reconhecimento público me enche de força para seguir na honrosa missão de comandar a Advocacia-Geral da União”, publicou.

A manifestação de Gilmar Mendes acontece em um momento estratégico, solidificando o prestígio de Messias junto ao Poder Judiciário. A Advocacia-Geral da União (AGU) é uma instituição fundamental na estrutura do Estado, responsável pela defesa dos interesses do governo federal em processos judiciais e pelo aconselhamento jurídico do presidente da República.

Desde que assumiu o comando da AGU em janeiro de 2023, Messias tem adotado uma postura de diálogo com os tribunais superiores. Sua gestão tem sido marcada pela busca de soluções consensuais para grandes litígios envolvendo a União, como em questões tributárias e ambientais, e pela defesa de pautas prioritárias do governo Lula no STF.

Procurador da Fazenda Nacional de carreira desde 2004, Messias construiu um currículo sólido no serviço público. Antes de chegar ao topo da AGU, ocupou cargos importantes nos ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, além da Casa Civil. Sua nomeação por Lula foi vista como uma escolha técnica e de confiança, unindo conhecimento jurídico e experiência na máquina administrativa federal.

A posse de Flávio Dino, que deixou o Ministério da Justiça para ocupar a vaga aberta pela aposentadoria de Rosa Weber, foi o cenário para essa importante declaração. O evento reuniu as mais altas autoridades da República, incluindo os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Executivo), Rodrigo Pacheco (Senado) e Arthur Lira (Câmara), reforçando o peso político do ambiente onde o elogio de Gilmar Mendes foi proferido.

O gesto do decano do STF pode ser interpretado como um recado para o mundo político, validando a integridade de um quadro central do governo. Ao afirmar que a história fará justiça, Gilmar Mendes sugere que a avaliação sobre a trajetória de Messias deve considerar a totalidade de sua contribuição ao serviço público, e não apenas o calor dos acontecimentos de uma das maiores crises políticas da história recente do Brasil.