Passageiros que dependem do transporte público no Rio de Janeiro enfrentam grandes dificuldades na manhã desta segunda-feira (29), em meio à greve dos motoristas de ônibus. A paralisação, iniciada à 0h, resultou em pontos lotados e longas esperas, mesmo com uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) que obriga a circulação de 50% da frota de cada linha.
Segundo o Rio Ônibus, sindicato das empresas, dos 1,8 mil ônibus previstos para circular, apenas 860 estavam nas ruas no início da manhã. Nas redes sociais e nos pontos, o cenário era de incerteza. Relatos apontam para a falta de veículos do sistema BRT e de linhas convencionais. Uma passageira afirmou estar na estação Praça Seca desde as 4h e ter visto apenas dois veículos passarem. Outra usuária, que apoia a causa dos motoristas, lamentou que levaria falta no trabalho por não conseguir transporte.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, informou que equipes da prefeitura foram mobilizadas durante a madrugada para minimizar os impactos, atuando nos terminais e garagens da Mobi-Rio. Segundo ele, o objetivo era garantir 70% da frota do BRT em operação. "Sempre vai ter, numa situação atípica como essa, infelizmente, os casos que acabam acontecendo e atrapalhando a vida da população. Nosso papel está aqui, fazendo todo o esforço", afirmou Cavaliere à TV Globo.
A categoria dos rodoviários reivindica um piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para condutores de articulados. Além disso, pedem aumento no vale-alimentação e a adoção da jornada de trabalho na escala 5x2.
No Terminal Gentileza, um dos principais da cidade, filas com mais de 70 pessoas se formaram em algumas linhas, com tempo de espera que chegava a 50 minutos, muito acima dos 10 a 15 minutos habituais. Telma da Costa, de 61 anos, fiscal de supermercado, deveria ter chegado ao trabalho às 7h, mas ainda aguardava na fila há mais de 45 minutos. "O meu patrão já deve saber que as coisas estão difíceis. Já estou muito atrasada", contou.
O segurança Antônio Benedito, de 65 anos, esperava há 25 minutos na Avenida Presidente Vargas para voltar para casa após o trabalho. Ele considerava um trajeto alternativo com três conduções caso o ônibus não aparecesse. O carregador Angelo Moreno, de 45 anos, já dava como certo o atraso. "Meu chefe já está avisado porque hoje está difícil", disse.
O Rio Ônibus informou que cerca de 40 coletivos foram vandalizados e fez um apelo para que os rodoviários compareçam às garagens. O sindicato patronal reforçou a necessidade de cumprir a ordem judicial. Em contrapartida, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a categoria cumprirá a determinação de 50% da frota, mas que a greve está mantida.
A decisão que considerou a greve legal foi proferida pela desembargadora Maria Helena Motta, do TRT-1. Ela estabeleceu multa de R$ 50 mil para ambos os sindicatos (patronal e de trabalhadores) em caso de descumprimento do percentual mínimo. A magistrada também proibiu as empresas de contratar substitutos ou demitir grevistas.
Para tentar suprir a demanda, a TrensRJ e o MetrôRio anunciaram reforço em suas operações. Uma audiência de mediação entre as partes está agendada para as 11h de terça-feira, no TRT-1, com a expectativa de que um acordo possa encerrar a paralisação.









