O mercado financeiro brasileiro iniciou as negociações em forte ritmo de desvalorização após o encerramento do processo eleitoral de 2026. A intensa pressão vendedora nos ativos acionou o mecanismo de circuit breaker na B3 logo nos primeiros minutos do pregão, situação que não acontecia desde março de 2020, período da pandemia de Covid-19.
As operações à vista da bolsa de valores brasileira ficaram paralisadas por 30 minutos. Por volta das 10h40, o Ibovespa registrava queda superior a 16%, operando na faixa dos 171 mil pontos. Mesmo com a reabertura posterior das negociações, uma parcela expressiva dos ativos continuou em processo de leilão diante da volatilidade expressiva.
A paralisação temporária atingiu instrumentos como renda fixa privada, opções referenciadas em ações, BDR, ETFs, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50 e Índice Small Cap. De acordo com Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o Ibovespa abriu perto dos 204 mil pontos, mas o mecanismo de defesa da bolsa precisou ser ativado quando a queda atingiu a marca de 10%.
O dólar registrou forte valorização frente ao real desde a abertura dos negócios, quando atingiu uma alta de 12,52%, cotado a R$ 5,60. Perto das 11h, a moeda norte-americana mantinha avanço acima de 10%, negociada a R$ 5,5092. No segmento futuro, o contrato do Ibovespa com vencimento em 16 de dezembro de 2026 despencou mais de 17% nas primeiras transações e recuava 16,55% pela manhã, aos 173.530 pontos. A B3 chegou a revisar os limites diários de baixa para contratos futuros de até -15% para até -20%.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que refletem os juros futuros, também apresentaram elevação acentuada. O vencimento para janeiro de 2028 atingiu 14,915%, com salto de 206 pontos-base em comparação aos 12,859% do ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2035 subiu 263 pontos-base, passando de 12,745% para 15,375%.
O movimento dos investidores repercute o desfecho da eleição presidencial, na qual Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 51,79% dos votos válidos, garantindo seu quarto mandato presidencial e renovando a marca de presidente mais votado da história. Parte do mercado apostava na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), motivada por levantamentos de segundo turno que apontavam o parlamentar ligeiramente à frente.
Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, os agentes financeiros tinham precificado uma mudança na condução do governo federal, mirando um perfil focado no controle de despesas e da dívida pública. Magno explicou que a confirmação da reeleição levou investidores globais a reduzirem expectativas para os próximos quatro anos de governo, justificando a retração aguda nos índices acionários.