O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quarta-feira (10) que os Estados Unidos prejudicaram os esforços diplomáticos para uma solução negociada do conflito. A declaração ocorre após recentes ataques americanos contra instalações no sul do país persa.

Segundo o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, os EUA estão "prejudicando o processo diplomático com as mensagens contraditórias que estão enviando" e com "repetidas violações do cessar-fogo", que estava em vigor desde 8 de abril. "Qualquer processo diplomático é prejudicado pelo uso da força e pelo recurso a ações ilegais no terreno", declarou Baqaei.

A ofensiva americana aconteceu na terça-feira (9), por volta das 18h no horário de Brasília. De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), os bombardeios foram uma ação de autodefesa, ordenados pelo presidente Donald Trump em resposta à derrubada de um helicóptero Apache do Exército americano no dia anterior.

"A missão é uma resposta proporcional à agressão iraniana injustificada", informou o órgão militar em uma publicação. Pouco depois, a imprensa estatal iraniana relatou explosões em uma ilha próxima ao Estreito de Ormuz. A extensão total dos danos não foi divulgada.

Em retaliação, Teerã teria lançado uma ofensiva com drones contra a Quinta Frota Naval dos Estados Unidos, sediada no Bahrein. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as forças armadas do país não deixariam ataques sem resposta. "Saiam da nossa região se quiserem estar seguros", publicou Araghchi na rede social X.

Mais cedo, o presidente Donald Trump havia acusado publicamente o Irã pela queda da aeronave. "Os iranianos derrubaram um de nossos helicópteros Apache altamente sofisticados", escreveu Trump na rede social Truth Social. Ele confirmou que os dois pilotos a bordo estavam seguros e acrescentou: "Mesmo assim, os Estados Unidos devem, necessariamente, responder a este ataque".

O helicóptero AH-64 Apache foi abatido na segunda-feira (8) enquanto patrulhava a costa de Omã. Os tripulantes foram resgatados por um drone marítimo americano. Este foi o primeiro incidente do tipo desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, segundo a publicação original.

O cenário se agrava em meio a uma troca de ataques recente entre Irã e Israel. A Guarda Revolucionária Islâmica bombardeou alvos em Haifa, enquanto Israel lançou mísseis contra Teerã, Tabriz e Isfahan. Para um acordo de paz com os EUA, o Irã exige o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo no Líbano, além da suspensão de sanções, liberação de fundos e o fim do bloqueio marítimo americano.