As forças do Irã anunciaram nesta segunda-feira, 8 de junho, a suspensão dos ataques direcionados a Israel. A interrupção das hostilidades acontece em meio a uma escalada de tensão, iniciada após um ataque israelense a uma fábrica petroquímica no sudoeste iraniano, que, segundo Israel, era usada para a produção de mísseis balísticos.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico de Teerã, bombardeou uma instalação similar na cidade de Haifa, em Israel, e afirmou ter atingido também a base aérea de Ramat David. A sede central de Khatam ol-Anbiya, que coordena as operações do Estado-Maior do Irã, comunicou a pausa. "Anuncia-se a suspensão das operações das forças armadas; contudo, ressalta-se que, caso as agressões e os males persistam, inclusive no sul do Líbano, medidas muito mais severas e repressivas serão tomadas", informou o órgão, segundo a agência Fars.
O governo iraniano atribuiu aos Estados Unidos a responsabilidade pela escalada. "Sem dúvida, as ações do regime sionista na região não podem ser separadas das políticas dos EUA", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei. "Ninguém acredita que o regime sionista realizaria qualquer ação sem prévia coordenação e cooperação com os Estados Unidos."
Do outro lado, Israel também lançou mísseis contra as cidades de Teerã, Tabriz e Isfahan, de acordo com a emissora Al Jazeera. Em uma publicação nas redes sociais, os militares israelenses afirmaram ter atacado "alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã".
Diante da troca de ataques, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu que os dois lados "parem imediatamente com os 'tiroteios'". Em sua rede social, a Truth Social, Trump afirmou que Israel e Irã "estão buscando um cessar-fogo imediato", mas alertou que as negociações podem ser atrapalhadas por "ignorância" ou "estupidez". Ele também confirmou que o bloqueio americano a navios no Irã continuará "até que um acordo final seja alcançado".
A situação no Líbano é um ponto central para o Irã, que exige o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo a ofensiva israelense contra o Hezbollah, como condição para um acordo. A posição iraniana foi criticada pelo primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, que pediu ao Irã para parar de tratar seu país como "mera moeda de troca".
Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo iraniano, reafirmou o apoio ao Hezbollah, descrevendo a milícia como um "aliado" que "fez grandes sacrifícios na guerra recente". O Líbano entrou no conflito após o Hezbollah atacar Israel em 2 de março, em retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. As operações israelenses no Líbano continuam, com Tel Aviv acusando o Hezbollah de violar o cessar-fogo, enquanto autoridades libanesas afirmam que Israel usa a situação como pretexto para uma campanha planejada.







