O governo do Irã tem utilizado a corretora de criptoativos Binance para escapar de sanções econômicas e movimentar bilhões de dólares. Segundo uma reportagem do jornal americano The Wall Street Journal, a plataforma se tornou uma das principais vias financeiras do regime para processar pagamentos, em grande parte vindos de compradores chineses de petróleo iraniano.
A investigação aponta que uma complexa rede de comércio, que viola as sanções impostas ao Irã, é controlada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), uma influente força militar do país. Os valores obtidos seriam usados para financiar as operações da própria guarda e para apoiar milícias aliadas no Oriente Médio, como o Hamas, o Hezbollah e os houthis no Iêmen.
Dados obtidos pelo jornal detalham a escala das operações. Cerca de 850 milhões de dólares em transações foram realizadas por meio de contas na Binance ligadas ao empresário Babak Zanjani, descrito como um operador "anti-sanção", e pessoas próximas a ele. Além disso, o banco central do Irã teria movimentado 107 milhões de dólares em criptomoedas na plataforma apenas no ano passado.
Outros dados, compilados por uma agência estrangeira, indicam um volume de aproximadamente 260 milhões de dólares em operações diretas entre contas da Binance e carteiras digitais ligadas a financiadores iranianos e entidades sancionadas, entre 2024 e 2025.
As cifras se somam a um montante de 1,7 bilhão de dólares que os próprios investigadores da Binance concluíram ter circulado pela corretora em direção a uma ampla rede iraniana. De acordo com o WSJ, essa movimentação financeira continuaria ativa, com transações registradas ainda neste mês.
A reportagem menciona que, por anos, a Binance foi vista como uma porta de entrada para fundos iranianos devido à facilidade na abertura de contas, que inicialmente não exigiam identificação. Mesmo após a implementação da verificação obrigatória em 2021, agentes iranianos teriam continuado a usar a plataforma para seus negócios.
Em nota enviada ao The Wall Street Journal, a Binance afirmou que as informações da reportagem são "imprecisas" e que a empresa adota uma política de "tolerância zero para atividades ilícitas". Um porta-voz declarou que a corretora reformulou seu programa de compliance em 2024 para reduzir a exposição a áreas de alto risco e entidades sancionadas. "Trabalhamos em estreita colaboração com autoridades policiais de todo o mundo para detectar, prevenir e combater crimes financeiros", disse o porta-voz.









