Barueri, SP
Justiça

Justiça Eleitoral barra 22 candidaturas por suspeita de ligação com o crime organizado

Seis postulantes conseguiram votos para se eleger e aguardam julgamento de recursos na Justiça Eleitoral

Redação O Informantte·06/11/2026, 17:42·3 min de leitura
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Justiça Eleitoral barra 22 candidaturas por suspeita de ligação com o crime organizado

A Justiça Eleitoral barrou o registro de 22 candidatos às eleições deste ano em seis estados brasileiros sob suspeita de ligação com o crime organizado e organizações paramilitares. As decisões ocorreram após contestações apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral, que questionou a validade de 42 candidaturas distribuídas em dez estados. Outros sete postulantes que também foram contestados obtiveram autorização para disputar, mas ainda aguardam a decisão final do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Dos 22 registros indeferidos, 14 eram de postulantes a deputado estadual, seis a deputado federal e dois a suplente de senador. O Rio de Janeiro concentrou a maior parte das candidaturas barradas, com 13 casos, seguido por Paraíba (3), Acre (2), Mato Grosso do Sul (2), Bahia (1) e Amapá (1). De acordo com o MP Eleitoral, o TSE tem entendimento consolidado de que a ligação com organizações paramilitares ou similares impede a participação nas eleições, mesmo sem condenação transitada em julgado, com base na vedação constitucional ao uso dessas estruturas por partidos políticos.

Mesmo com o registro negado, seis candidatos obtiveram votos suficientes para se eleger no Rio de Janeiro e em Mato Grosso do Sul. Como disputaram sob a condição sub judice enquanto aguardavam a análise de recursos nos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e no TSE, a validação de seus votos depende do desfecho desses julgamentos. Entre eles está Jamilson Name (PP), que disputou o cargo de deputado estadual em Mato Grosso do Sul e recebeu 35,2 mil votos. Ele foi condenado a oito anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro, e o recurso aguarda decisão no TSE.

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No Rio de Janeiro, Diego Alba (PSDB) teve a candidatura a deputado estadual rejeitada pelo TRE do estado, mas alcançou 48,5 mil votos. Ele possui condenação por integrar quadrilha armada focada em assaltos a clientes de bancos. Renato Machado (PT) recebeu 48,3 mil votos para a Alerj, sendo apontado pelo MP Eleitoral como líder do núcleo político de um grupo criminoso em Maricá (RJ) ligado a uma narcomilícia. Outros alvos de questionamentos no estado foram João Drumond (PRD), apontado por elos com o jogo do bicho e grupos criminosos, Ricardo Abrão (PSDB), investigado por estrutura clandestina armada de compra de votos, e Val Ceasa (PRD), contestado por vínculo com facção armada.

Entre os candidatos autorizados pela Justiça Eleitoral que terminaram eleitos e agora enfrentam contestações, Márcio Canella (União) foi o segundo mais votado para a Alerj, com 197,2 mil votos, e acabou preso onze dias após a votação. A Polícia Federal o apontou como articulador de organização criminosa que lavava dinheiro em postos de combustíveis na região Metropolitana do Rio. O MP Eleitoral recorreu ao TSE contra a liberação do registro, citando indícios de vínculo com milícias e com o Comando Vermelho.

O MP Eleitoral também contestou o registro de Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. A acusação aponta elos com milícias na Baixada Fluminense para coerção de eleitores e conexão estrutural com operadores paramilitares e Canella. Em São Paulo, o órgão recorreu contra a candidatura de Ney Santos (Republicanos) a deputado federal, réu sob acusação de comandar organização criminosa e lavar dinheiro do tráfico de drogas. O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, defendeu que provas robustas de ligação com o crime bastam para barrar o registro, enquanto a defesa de Santos nega qualquer indício de práticas delitivas.

O procurador-geral da República e chefe do MP Eleitoral, Paulo Gonet, declarou que o avanço do crime organizado no processo eleitoral representa um dos principais desafios das eleições, alertando que essas ameaças comprometem a legitimidade das instituições democráticas. Para enfrentar o problema, o órgão instituiu um grupo de trabalho no final de 2025 que atua em conjunto com os Gaecos e núcleos de inteligência do Ministério Público Federal, dos estados e do Distrito Federal e Territórios.

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