A relação entre o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atravessa um momento de forte tensão. Segundo aliados do presidente, a atuação de Moraes para barrar a aprovação de Jorge Messias para uma vaga no STF abriu uma ferida que ainda incomoda o governo.

A indisposição de Lula foi manifestada diretamente a colegas de Moraes na Corte. Há cerca de um mês, durante um encontro reservado com os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, o presidente evidenciou seu descontentamento e fez críticas diretas ao ministro.

Na conversa, Lula abordou o chamado "escândalo do Master". O presidente afirmou considerar necessário que Alexandre de Moraes venha a público para dar explicações sobre o contrato milionário firmado pelo escritório de sua esposa, Viviane Barci, com um banco.

Em outras conversas privadas, Lula já havia demonstrado incredulidade com o valor do negócio, estipulado em R$ 130 milhões.

Nos bastidores, uma frente composta por integrantes do Judiciário, do governo e do Congresso trabalha para costurar uma trégua entre o presidente e o ministro. O principal argumento é a necessidade de Lula preservar a melhor relação possível com os membros do STF, especialmente porque Moraes assumirá a presidência do tribunal no próximo ano.

O distanciamento entre os dois líderes ganhou força com a repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro e atingiu seu ponto mais crítico quando a indicação de Messias foi rejeitada no Senado.