O caso do menino indonésio Ardi Rizal, que chocou o mundo em 2010 ao ser filmado fumando de fraldas com apenas um ano e meio, teve uma reviravolta. Na época, o garoto consumia até 40 cigarros por dia, um vício que começou após seu próprio pai lhe dar o primeiro cigarro, segundo uma entrevista de 2017 ao The Sydney Morning Herald.

Ardi vivia na aldeia de Teluk Kemang, em Sumatra, onde sua mãe, Diana, era vendedora de peixes. A dependência se tornou tão severa que, quando a família tentava impedi-lo de fumar, ele tinha acessos de raiva e chegava a bater a cabeça na parede. A situação levou à intervenção do Ministério do Empoderamento da Mulher e da Proteção Infantil da Indonésia.

Com a repercussão internacional, a família buscou ajuda profissional. Aos três anos, Ardi iniciou um tratamento de reabilitação com o psicólogo infantil Seto Mulyadi. No entanto, ao largar o cigarro, ele desenvolveu uma forte ansiedade que o levou à compulsão alimentar.

O problema com o peso, que já existia, se agravou. Aos cinco anos, Ardi pesava 24 quilos, aproximadamente seis quilos acima da média para sua idade e altura. Relatos indicam que ele chegava a consumir, em uma única refeição, três coxas de frango, duas tigelas de sopa e uma lata de leite condensado. O comportamento só começou a mudar quando ele passou a sofrer provocações de colegas na escola pela quantidade de comida que levava.

Mais de uma década depois, Ardi é considerado uma das pessoas mais jovens a superar o vício em tabaco. Em 2022, aos 14 anos, ele frequentava a escola e seguia uma dieta rigorosa à base de peixes e verduras para controlar o peso. Em 2019, o jovem chegou a participar de um programa na TV Record, no Brasil.

Hoje, Ardi Rizal concede entrevistas para alertar sobre as dificuldades de abandonar um vício e para promover um estilo de vida saudável. Seu caso ilustra os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam que o tabagismo causa mais de oito milhões de mortes anuais no mundo, sendo 1,2 milhão delas de não fumantes expostos à fumaça.