O norte-americano Michael Phillips, de 38 anos, convive desde a infância com o desconforto causado pelo tamanho de seu pênis, que mede pouco menos de 1 centímetro. Para evitar constrangimentos, ele passou a vida fugindo de vestiários, evitando relacionamentos e sentindo ansiedade até para usar banheiros públicos.
Phillips relata que, por acreditar que seu desenvolvimento seria apenas tardio, não procurou ajuda médica na juventude. Quando finalmente o fez, já adulto, havia perdido a janela de oportunidade para um tratamento hormonal que poderia ter estimulado o crescimento do órgão. Agora, ele expõe sua história para que outros homens busquem ajuda mais cedo.
O micropênis é uma condição médica definida por um pênis que mede menos de 7,5 centímetros em ereção, bem abaixo da média de 13,3 centímetros. A condição afeta cerca de 0,5% dos homens. O diagnóstico deveria ocorrer no nascimento, quando o pênis esticado do bebê mede menos de 1,9 centímetro, mas muitos casos passam despercebidos.
Segundo o urologista e andrologista Shafi Wardak, do Royal Berkshire NHS Foundation Trust, o impacto emocional pode ser profundo, afetando a autoimagem, a confiança e os relacionamentos. O psicólogo clínico Rob O’Flaherty afirma que ansiedade e depressão são frequentes, podendo levar a pensamentos negativos e, em casos extremos, até suicidas.
Especialistas diferenciam o micropênis do transtorno dismórfico peniano, no qual a angústia com o tamanho do órgão não corresponde a uma alteração médica real. No micropênis, a causa é orgânica, geralmente ligada a baixos níveis de testosterona durante a gestação e após o nascimento. Falhas hormonais, como a síndrome de Kallmann, ou problemas genéticos podem impedir o desenvolvimento peniano.
Quando o diagnóstico é feito precocemente, o tratamento hormonal apresenta alta eficácia. Estudos indicam que injeções de testosterona em bebês e crianças, por três meses, podem aumentar o comprimento do pênis em mais de 100%. Contudo, essa janela de crescimento se fecha após a puberdade, quando os receptores hormonais deixam de responder.
Para adultos, a única alternativa restante é a cirurgia. O cirurgião urológico Don Lee, que coordena a única unidade do sistema público britânico para esses casos, explica que existem dois procedimentos principais. Um deles libera a parte do pênis que fica sob a pele. O outro, mais complexo, consiste na construção de um novo órgão com tecido do antebraço ou da coxa, com implante de um dispositivo para ereção.
Os riscos cirúrgicos, porém, são significativos, incluindo a perda parcial ou total do novo pênis e problemas urinários. Michael Phillips pesquisou a cirurgia nos Estados Unidos, onde o custo varia de US$ 80 mil a US$ 120 mil, mas desistiu ao ser informado de que a relação sexual ainda seria difícil.
Phillips prefere usar sua história como um alerta. "Se as pessoas perceberem isso mais cedo e puderem ir ao médico mais jovens, terão mais ajuda do que eu consegui", afirmou. Para os especialistas, a mensagem é que o tratamento vai além do tamanho. "Para muitos, acolhimento, apoio e informação honesta podem ser tão importantes quanto qualquer intervenção médica", conclui Wardak.







