A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o status do surto de Ebola na República Democrática do Congo para uma emergência de saúde pública de importância internacional. A decisão ocorre em meio à confirmação de que um médico americano contraiu o vírus e o número de mortos já chega a 118, com mais de 300 casos suspeitos.
O caso do médico foi confirmado em Bunia, capital da província de Ituri, conforme informou nesta terça-feira, 19, Jean-Jacques Muyembe, diretor médico do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo. Além dele, outros sete americanos estão sendo levados para a Alemanha para monitoramento, incluindo um paciente que testou positivo no domingo, 17.
Especialistas apontam que a resposta à epidemia foi retardada por um erro crucial. As primeiras amostras coletadas foram testadas para a variante Zaire, a mais comum, e apresentaram resultado negativo. A identificação correta da cepa Bundibugyo, uma versão rara do vírus para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados, só aconteceu semanas depois.
“Perdemos semanas de resposta porque os testes iniciais procuravam a cepa errada”, afirmou à Associated Press Matthew Kavanagh, diretor do Centro de Política Global de Saúde da Universidade Georgetown.
Segundo autoridades congolesas, a disseminação pode ter sido acelerada após a morte do primeiro paciente, em 24 de abril. O corpo foi transportado de Bunia para Mongbwalu, uma área de mineração densamente povoada. Em 5 de maio, a OMS já havia sido notificada sobre aproximadamente 50 mortes na região, incluindo quatro profissionais de saúde. Há casos confirmados nas cidades de Bunia, Goma, Mongbwalu, Butembo e Nyakunde.
Para conter o avanço da doença, o ministro da Saúde do Congo, Samuel Roger Kamba, anunciou a abertura de três centros de tratamento. A OMS também enviou especialistas e suprimentos para apoiar os esforços locais. Nos Estados Unidos, o CDC reforçou a vigilância em portos de entrada e emitiu alertas para viajantes no Congo e na vizinha Uganda, onde duas mortes foram registradas.
O Ebola é transmitido por fluidos corporais e provoca sintomas como febre, dores intensas, diarreia, vômitos e sangramentos. Este é apenas o terceiro surto causado pela variante Bundibugyo desde 1976.
Ao declarar a emergência no sábado, 16, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que “o evento exige coordenação e cooperação internacional”. Apesar do alerta, a entidade afirmou que o cenário ainda não se qualifica como uma “emergência pandêmica”, mas expressou preocupação com o potencial de disseminação regional e a falta de imunizantes específicos.









