Um laudo pericial apontou que frascos falsificados do medicamento Keytruda continham unicamente sódio e cloro em sua composição, sem qualquer presença do princípio ativo pembrolizumabe ou de outra substância farmacêutica. O remédio oncológico de alto custo, cujo valor ultrapassa R$ 20 mil por unidade, foi alvo da Operação Laziosi, conduzida pela polícia em São Paulo.

As investigações levaram à prisão de três pessoas na quinta-feira, 5 de novembro de 2026. Conforme o inquérito policial, o grupo criminoso é suspeito de comercializar remédios adulterados voltados ao tratamento de câncer no estado paulista. Os envolvidos teriam mantido a atividade ilegal em andamento mesmo após a deflagração da primeira etapa das apurações, realizada em 2024.

A análise química foi realizada pelo laboratório forense da farmacêutica MSD, responsável pela fabricação do produto original, a partir do recolhimento de frascos suspeitos ocorrido em 2024. De acordo com o relatório, os recipientes entregues ao Hospital IGESP possuíam bula, caixa, lacre e rótulos bastante semelhantes aos itens autênticos, mas não continham o anticorpo necessário para a eficácia clínica da terapia.

Durante a apuração, constatou-se que uma dose da substância adulterada chegou a ser ministrada em um paciente atendido na unidade hospitalar. Considerado o remédio com maior volume de ações judiciais do país, o Keytruda consiste em uma imunoterapia com registro aprovado para ao menos 19 modalidades tumorais, abrangendo enfermidades no pulmão, rim, estômago, esôfago, cabeça e pescoço, além de melanoma.

O fármaco atua prioritariamente em estágios avançados da doença e na prevenção de recidivas pós-operatórias. Esse modelo terapêutico é o mesmo indicado ao papa Leão XIV, que possui prescrição de tratamento por um período mínimo de três anos em decorrência da extração cirúrgica de um tumor pulmonar.