O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira, 15, um plano para proibir que menores de 16 anos utilizem as principais redes sociais. A medida, que também impõe restrições a jogos e transmissões ao vivo, visa "devolver a infância às crianças", segundo o governo.

A ampla restrição abrangerá plataformas populares como TikTok, Instagram, Facebook, X e YouTube. No entanto, aplicativos de mensagens diretas, como WhatsApp e Signal, não serão incluídos na proibição.

Em entrevista coletiva, Starmer defendeu a medida como a "escolha certa" para a segurança e o bem-estar dos jovens. "Isso fará uma enorme diferença, deixará nossas crianças mais seguras, mais felizes, lhes dará mais tempo, mais segurança, mais liberdade para crescer e mais oportunidades", declarou o primeiro-ministro.

O governo argumenta que o tempo excessivo gasto em redes sociais prejudica atividades essenciais para o desenvolvimento infantil e juvenil, como os estudos, a leitura, a interação com amigos e a manutenção de uma rotina de sono adequada.

A decisão foi baseada em uma consulta pública que recebeu mais de 116 mil respostas de professores, pais e jovens. Conforme os dados divulgados, aproximadamente 90% dos participantes apoiaram a fixação de uma idade mínima de 16 anos para o acesso, e mais de 80% avaliaram que os riscos das plataformas superam os benefícios.

A regulamentação da nova política deve ser finalizada até o fim deste ano, com a implementação prática prevista para o início de 2027. O modelo de fiscalização será semelhante ao da Austrália, que adotou uma proibição nacional em 2025, e prevê multas milionárias para as empresas de tecnologia que descumprirem as regras, não para os usuários.

A proposta, no entanto, enfrenta críticas. Um porta-voz do YouTube afirmou que a proibição pode levar crianças e adolescentes a procurarem "serviços anônimos e menos seguros". A empresa destacou que já investe em experiências adequadas à idade e proteções para adolescentes.

Nigel Farage, líder do Reform UK, principal partido de oposição ao governo Starmer, classificou a medida como "bem-intencionada", mas "improvável de funcionar". Ele apontou para a facilidade de usar redes virtuais privadas (VPNs) para contornar os mecanismos de verificação de idade, ocultando a localização e a identidade dos usuários.