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Tostão em Houston: a saga da cirurgia que salvou o Tri e a reportagem que expôs a crise com o Vasco

Em 1973, craque voltou ao Texas para tratar lesão na vista que quase encerrou sua carreira; jornalista da Placar furou o bloqueio e revelou bastidores da tensão

Redação O Informantte·29/06/2026, 11:43·3 min de leitura
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Tostão em Houston: a saga da cirurgia que salvou o Tri e a reportagem que expôs a crise com o Vasco

A cidade de Houston, no Texas, ocupa um lugar fundamental na história do futebol brasileiro. Foi lá que Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, um dos maiores craques da seleção, tratou uma lesão que por pouco não encerrou sua carreira e o tirou da Copa do Mundo de 1970, no México.

Tudo começou em 24 de setembro de 1969, durante uma partida chuvosa no Pacaembu entre Cruzeiro e Corinthians. Um chute forte do zagueiro Ditão acertou em cheio o rosto de Tostão, causando um grave descolamento de retina no olho esquerdo. Após cirurgias de emergência no Brasil, o jogador foi levado a Houston para um tratamento especializado. A recuperação foi bem-sucedida, permitindo sua convocação por Saldanha e, depois, por Zagallo para a campanha do tricampeonato. Contudo, os riscos levaram Tostão a pendurar as chuteiras precocemente, em 1974, com apenas 26 anos.

Em 1973, já como jogador do Vasco, Tostão retornou a Houston para novos exames com o médico mineiro Roberto Abdalla Moura. Havia a suspeita de que o problema na vista estava se agravando, e muitos duvidavam que ele voltaria a jogar. Nesse cenário de incertezas, a revista PLACAR decidiu enviar o repórter José Maria de Aquino para cobrir a situação.

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A missão era complexa. Tostão se recusava a falar com a imprensa, tendo negado entrevistas por telefone e até mesmo a uma equipe da agência internacional Associated Press (AP). Em seu livro "Minha Vida de Repórter", Aquino relata como a direção da revista o incumbiu de ir aos Estados Unidos como um "plano C". A orientação era clara: se não conseguisse a entrevista, deveria relatar como a cidade americana estava reagindo à presença do ídolo brasileiro.

Com cartas de familiares, revistas e um livro de Hermann Hesse em mãos, o jornalista viajou para Houston. No Methodist Hospital, descobriu o número do quarto de Tostão, 585, e traçou um plano ousado. Vestindo terno e gravata para parecer um visitante autorizado, Aquino subiu até o andar, driblou as restrições e encontrou a porta do apartamento entreaberta.

Ao se apresentar, foi recebido com frieza pelo jogador, que questionou sua presença. O repórter alegou estar de férias e ser um amigo, mas a desculpa não convenceu. A situação mudou quando Aquino mencionou as cartas e os presentes que trazia. A esposa de Tostão, Vânia, interveio: "Ele é seu amigo, Eduardo. Que mal há?". Com a permissão para entrar, veio uma condição: "Nada de falar sobre futebol".

Pouco depois, a conversa foi interrompida pela chegada do presidente do Vasco, Agartino Silva Gomes, e do médico do clube, Diomedes Guimarães. O que se seguiu foi uma discussão ríspida. O dirigente acusou Tostão de já saber da gravidade da lesão quando se transferiu do Cruzeiro e falou em rescisão de contrato e devolução de dinheiro. O jogador respondeu no mesmo tom, e a briga indicava que o caso terminaria na Justiça.

Após a saída dos dirigentes, o clima mudou. Foi o próprio Tostão quem quebrou o gelo e perguntou ao jornalista sobre a seleção brasileira. A conversa então fluiu, abordando a renovação da equipe para a Copa de 1974, a possibilidade de Pelé retornar e o futuro de sua própria carreira. "Só volto quando estiver 100%", afirmou o craque na despedida.

Aquino conseguiu a reportagem exclusiva, que se tornou capa da PLACAR. Meses depois, novos exames em Houston confirmariam o fim da carreira de um dos mais brilhantes jogadores do futebol brasileiro. Tostão, mais tarde, se formaria em medicina.

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