O Arraiá Barueri 2026 tem se firmado como um sucesso de público, mas um de seus principais destaques é a estrutura de inclusão. Uma parceria entre a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDPD) e a Secretaria de Cultura garante que pessoas com deficiência possam aproveitar os shows com conforto e segurança.
Em todas as apresentações, um trio de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) trabalha ao lado do palco. As profissionais Cleusa Araújo, Luana Larissa de Souza Almeida e Francelia Silva Sales, da Secretaria de Cultura, são responsáveis por traduzir as letras e a emoção dos shows para a comunidade surda.
A iniciativa tem atraído visitantes de outras cidades. Segundo a intérprete Cleusa Araújo, com mais de 20 anos de experiência, o show da cantora Ludmilla é um exemplo. "Vieram pessoas com deficiência auditiva de Praia Grande porque sabiam da acessibilidade da nossa cidade. Quando o intérprete não está bem iluminado, elas reivindicam. Isso revela o quanto a comunidade surda valoriza e luta pelo seu direito de acesso à cultura", afirmou.
O trabalho exige intensa preparação. As intérpretes estudam os repertórios, estilos e referências culturais de cada artista. "Analisamos o estilo musical, se é romântico, dramático ou festivo. O ideal é receber o repertório com antecedência, mas nem sempre acontece. Quando surgem situações inesperadas, utilizamos as habilidades de interpretação simultânea", explicou Francelia.
A estrutura também proporciona momentos marcantes. Luana Larissa relatou a emoção de um show do DJ Dennis. "Um menino surdo, acompanhado da família, também composta por pais surdos, realizou o sonho de conhecer o artista. Esse momento encheu meu coração de alegria", contou a intérprete.
Além da tradução em Libras, o evento conta com uma área reservada para pessoas com deficiência, localizada na lateral esquerda do palco. O acesso, mediante documentação, oferece melhor visibilidade e segurança. Desde o início da festa, mais de cem pessoas já utilizaram o espaço, que atende público com deficiência física, auditiva, visual, intelectual, múltipla e Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A estrutura é acompanhada por dois técnicos da SDPD em cada show, profissionais de áreas como fonoaudiologia e terapia ocupacional, prontos para dar suporte ao público. A qualidade da organização foi elogiada pelos frequentadores.
Regina Alves da Silva, que é surda, assistiu à apresentação de Lauana Prado e destacou a importância da iluminação adequada para a tradução. "Conseguimos enxergar bem as intérpretes e acompanhar tudo o que elas estão sinalizando. Está maravilhoso", disse.
Yuri Ferreira da Silva, presidente do fã-clube de Lauana Prado e pessoa com deficiência visual, também aprovou o local. "O espaço é mais do que adequado, bem amplo. Para a gente que é fã-clube, é muito conveniente, e por ser gratuito, é uma oportunidade para os fãs de São Paulo assistirem", comentou.
Arterxerxes Teixeira de Souza, de 32 anos, cadeirante e atleta paralímpico de esgrima, foi outro a elogiar a festa. "Eu sempre venho aos shows. A cada ano que passa, o Arraiá fica melhor. O espaço reservado está bem estruturado e funciona muito bem. Está excelente", concluiu.









