A olivicultura brasileira conquistou um marco histórico. Um azeite de oliva extra virgem nacional foi eleito um dos três melhores do mundo no World Olive Oil Championship, a mais prestigiada competição internacional do setor, realizada em Copenhague, na Dinamarca. O rótulo brasileiro, da marca Sabiá, superou mais de 1.200 amostras de 20 países, incluindo potências tradicionais como Espanha, Itália e Grécia, que completaram o pódio.

O produto premiado é um blend das variedades de azeitonas Arbequina e Koroneiki, cultivadas na Serra da Mantiqueira, entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. A região, conhecida pelo clima com dias ensolarados e noites frias, tem se mostrado ideal para a produção de azeitonas de alta qualidade, resultando em azeites com complexidade de aromas e sabores. O painel de jurados, composto por 30 especialistas de diferentes nacionalidades, avaliou o azeite brasileiro como "excepcionalmente equilibrado, com um frutado verde marcante, notas de grama recém-cortada, alcachofra e um final picante e amargo de longa persistência".

A vitória coloca o Brasil em um novo patamar no mercado global. Tradicionalmente um dos cinco maiores importadores de azeite do mundo, com um consumo que ultrapassa 100 mil toneladas por ano, o país começa a se destacar pela excelência de sua produção interna. Embora a produção nacional ainda represente menos de 1% do consumo interno, a qualidade tem sido a grande aposta dos produtores para conquistar espaço no mercado.

O azeite Sabiá é fruto de um trabalho que começou há pouco mais de uma década. A fazenda, localizada no município de Santo Antônio do Pinhal (SP), investiu em tecnologia de ponta para o plantio e para a extração do azeite, processo que é feito menos de duas horas após a colheita, garantindo o máximo de frescor e a preservação dos compostos fenólicos, responsáveis pelos benefícios à saúde.

Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Azeite de Oliva (Assoolive), a área plantada de oliveiras no Brasil mais do que dobrou nos últimos cinco anos, ultrapassando 10 mil hectares. A maior parte está concentrada no Rio Grande do Sul, que responde por cerca de 70% da produção, seguido por Minas Gerais e São Paulo. A safra de 2024, por exemplo, resultou em um recorde de aproximadamente 580 mil litros de azeite extra virgem, um volume ainda pequeno para o mercado interno, mas que demonstra o potencial de crescimento do setor.

Para os especialistas, a conquista no concurso internacional funciona como um selo de qualidade que pode impulsionar não apenas a marca vencedora, mas toda a cadeia produtiva. A premiação valida o terroir brasileiro e atesta que o país tem capacidade para produzir azeites tão bons quanto os melhores do mundo. Isso tende a atrair novos investimentos, incentivar outros produtores a buscarem a excelência e, principalmente, educar o consumidor brasileiro a valorizar o produto nacional.

Apesar do otimismo, os desafios para a expansão da olivicultura no Brasil continuam. O custo de produção ainda é alto quando comparado ao dos produtores europeus, que contam com subsídios e uma cadeia produtiva consolidada há séculos. Fatores como a logística e a necessidade de mão de obra especializada também impactam o preço final do produto na prateleira. Um litro de azeite premium nacional pode custar mais de R$ 200, enquanto importados de boa qualidade são encontrados por menos da metade do preço.

Ainda assim, o reconhecimento global abre uma janela de oportunidades. A crescente busca por produtos artesanais, de origem controlada e com apelo gourmet pode beneficiar os azeites brasileiros. A conquista do Sabiá é um sinal de que o caminho, embora desafiador, está sendo trilhado com sucesso, posicionando o Brasil não apenas como um consumidor, mas como um protagonista no universo dos azeites de alta qualidade.