A Embraer, uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo, anunciou um lucro líquido de R$ 145,2 milhões no primeiro trimestre de 2024. O valor representa uma queda acentuada de 51,4% quando comparado ao mesmo período de 2023, quando a companhia havia lucrado R$ 298,8 milhões. Os dados foram divulgados em balanço financeiro nesta semana.
A principal razão para a diminuição no lucro, segundo a empresa, foi um volume menor de entregas de aeronaves no começo deste ano. De janeiro a março, a Embraer entregou um total de 25 jatos. Desse número, 18 foram jatos executivos e sete foram jatos comerciais. O volume representa uma queda de 8% em relação às 27 aeronaves entregues no primeiro trimestre do ano passado.
Apesar da forte queda no lucro, a receita líquida da companhia apresentou um crescimento robusto de 19%, totalizando R$ 4,5 bilhões. Em 2023, o faturamento no mesmo período havia sido de R$ 3,7 bilhões. A aparente contradição entre a queda no lucro e o aumento da receita é justificada pela Embraer como resultado de uma combinação de vendas mais favorável, com a entrega de aeronaves de maior valor agregado.
O grande destaque positivo do balanço foi a carteira de pedidos firmes (backlog), que atingiu a marca de US$ 21,1 bilhões ao final de março. Este é o maior valor registrado pela companhia nos últimos sete anos, sinalizando uma forte demanda futura e garantindo produção para os próximos anos. O crescimento da carteira de pedidos representa um aumento de 13% em relação ao trimestre anterior, que estava em US$ 18,7 bilhões.
Analisando os segmentos, a divisão de Aviação Comercial foi a que mais contribuiu para o crescimento do backlog. A carteira de pedidos da área aumentou 26% em comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionada por novos contratos de vendas. Já a Aviação Executiva, conhecida por suas aeronaves de luxo, manteve um desempenho sólido e fechou o trimestre com um backlog de US$ 4,6 bilhões, um crescimento de US$ 300 milhões em relação ao trimestre anterior.
Outro indicador financeiro, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda ajustado), também apresentou uma queda expressiva. O valor ficou em R$ 26,9 milhões no trimestre, uma redução de 90% em relação aos R$ 280,7 milhões registrados no primeiro trimestre de 2023. A margem Ebitda ajustada caiu de 7,4% para 0,6%, refletindo os custos e o menor volume de entregas no período.
Com sede em São José dos Campos (SP), a Embraer é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, atrás apenas da Boeing e da Airbus. A companhia é líder no segmento de jatos regionais de até 150 assentos, com a família de aeronaves E-Jets E2 sendo seu principal produto. A empresa também tem forte presença global na aviação executiva, com as linhas Phenom e Praetor, e atua nos setores de Defesa & Segurança e Serviços & Suporte.
Apesar do resultado misto no trimestre, com a pressão sobre o lucro e as entregas, a Embraer informou ao mercado que está mantendo suas projeções financeiras (guidance) para o ano de 2024. A expectativa da empresa é entregar entre 72 e 80 aeronaves comerciais e entre 125 e 135 jatos executivos ao longo do ano. A receita total projetada para 2024 fica na faixa de US$ 6 bilhões a US$ 6,4 bilhões.
O cenário para a Embraer, portanto, é de dualidade. Enquanto os números do primeiro trimestre mostram um desafio de curto prazo na rentabilidade, a carteira de pedidos recorde e o aumento da receita indicam uma perspectiva de crescimento e estabilidade para o futuro. O mercado agora observa como a companhia irá acelerar seu ritmo de produção e entregas nos próximos trimestres para atingir suas metas anuais e converter o backlog bilionário em resultados financeiros ainda mais sólidos.









