No Equador, um canal de irrigação com 45 quilômetros de extensão, conhecido como “Canal da Morte”, tornou-se um depósito de cadáveres a céu aberto. A estrutura, localizada em Guayaquil, evidencia a grave crise de segurança pública e a violência imposta pelo crime organizado no país.

O canal corta Nueva Prosperina, distrito considerado o mais violento da cidade portuária. Construído há mais de uma década para a agricultura, o local passou a ser utilizado para a desova de corpos após a pandemia, de acordo com relatos de moradores. Desde 2023, a polícia forense já retirou mais de 100 corpos do local.

Entre as vítimas está Georgina Bermeo, de 38 anos. Em maio, seu corpo foi encontrado por familiares, caído de bruços em meio a ervas daninhas. Ela e o marido, José Cedeño, de 43 anos, foram assaltados e baleados. O corpo dele também foi jogado no canal.

A irmã de Georgina, que não quis se identificar por medo de represálias, afirmou à agência France Presse (AFP) que não registrou o crime. Segundo ela, “a polícia está nas mãos dos criminosos”.

A área ao longo do canal é precária, com uma estrada de terra, lixo acumulado, urubus e cães. Não há iluminação pública nem câmeras de segurança. Moradores afirmam que homens armados em motocicletas controlam o acesso à região, que é tomada por água contaminada.

A violência persiste sob o governo do presidente Daniel Noboa. Apenas em Guayaquil, foram registrados mais de 900 homicídios entre janeiro e maio. Em 2025, o Equador atingiu a média de um homicídio por hora, conforme dados oficiais do governo.