O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, foi alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira (24). Segundo a investigação, ele apareceu como ganhador em 570 apostas e prêmios entre 2020 e 2025, movimentando um total de R$ 176,4 milhões.

Freixo é um dos alvos de busca e apreensão da 3ª fase da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. As casas lotéricas não são investigadas no caso.

De acordo com o Ministério Público, a frequência das premiações e os valores envolvidos levantaram suspeitas de que as apostas poderiam ser usadas para dar aparência legal a recursos de origem ilícita. As comunicações sobre os prêmios foram reportadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por apresentarem sinais atípicos.

A investigação aponta que Freixo figura como “ganhador” em todas as 570 comunicações. Para os promotores, a frequência incomum e o volume movimentado podem indicar uma estratégia para dissimular a origem do dinheiro, e não ganhos reais por sorte.

O MP também identificou um padrão de triangulação, no qual terceiros realizariam os jogos, mas os prêmios seriam transferidos para contas de empresas ligadas a Freixo, como a Cactus Assessoria e Serviços Ltda. Os promotores afirmam que o padrão pode indicar o uso de apostas como uma etapa de “reciclagem do dinheiro”.

Antônio Freixo ficou conhecido no noticiário após fechar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso do Banco Master. A delação, homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalhou operações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, antigo dono do banco.

Na investigação da Carbono Oculto, Freixo é apontado como líder do Grupo Entre Investimentos e um dos principais prestadores de serviços de blindagem financeira para uma organização criminosa atribuída a Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo".

O Ministério Público informou que também foram identificadas transações entre empresas de Freixo e companhias citadas na operação, mas o contexto dessas movimentações ainda está sendo apurado. A defesa do empresário não foi localizada para comentar o caso.