A bolsa brasileira não encontrou alívio nesta terça-feira. O Ibovespa fechou em queda de 0,51%, aos 188.618,69 pontos, emendando a quinta baixa consecutiva, sequência negativa que não ocorria desde julho do ano passado. O índice oscilou entre a mínima de 187.236,79 e a máxima de 189.578,50 pontos ao longo do pregão, sem conseguir sustentar qualquer recuperação consistente.

No mercado de câmbio, o dólar voltou a recuar levemente ante o real, fechando cotado a R$ 4,98, queda de 0,03% na sessão. Apesar da estabilidade no câmbio, o ambiente segue tenso e os investidores operam com cautela diante de um conjunto de fatores que pesam simultaneamente sobre os ativos de risco.

O que está por trás da queda

Com a prévia da inflação confirmando a aceleração dos preços no país, os juros futuros voltaram a subir e pressionaram os ativos de risco no pregão. O IPCA-15 registrou alta de 0,89% em abril, abaixo da expectativa do mercado, mas o acumulado em 12 meses chegou a 4,37%, dentro do teto da meta inflacionária.

De acordo com o advisor e sócio da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, a bolsa segue influenciada pela tensão geopolítica decorrente do conflito no Oriente Médio, enquanto os investidores se preparam para as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A combinação de inflação pressionada, juros altos e incerteza externa forma um cenário que afasta o apetite por risco.

Destaques do pregão

O destaque negativo do dia ficou com as ações da Hapvida, que recuaram 8,44%, enquanto o papel positivo foi a Metalúrgica Gerdau, com alta de 4,55%. Nos Estados Unidos, as bolsas americanas também fecharam em baixa, com o S&P 500 caindo 0,49% e o Nasdaq registrando queda de 0,90%.

O cenário mais amplo

Apesar das quedas recentes, o saldo do ano ainda é amplamente positivo. O Ibovespa acumula valorização de 29,55% em dólar em 2026, desempenho que coloca o Brasil à frente de grandes referências internacionais, como o S&P 500, que sobe 4,57% no mesmo período, e supera outras bolsas relevantes da América Latina, como Peru e Colômbia.

O conflito no Oriente Médio segue como pano de fundo permanente de incerteza. Com o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, as perspectivas de preços de energia mais baixos estão se dissipando, forçando economistas e bancos centrais ao redor do mundo a contemplar um período prolongado de inflação mais elevada. O petróleo voltou a ser negociado acima dos US$ 110 por barril, adicionando mais pressão ao cenário global.

A atenção do mercado agora se volta para as decisões de juros do Copom e do Federal Reserve, que devem dar o tom para os próximos pregões e definir se a sequência de quedas da bolsa tem fôlego para continuar ou se o mercado encontra razões para retomar o caminho dos ganhos.