O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou em sua rede social, a Truth Social, um artigo de opinião que classifica a eleição presidencial de outubro no Brasil como o seu “próximo grande teste” de influência política na América Latina. A publicação foi feita nesta terça-feira (23).

O texto, do colunista John Gizzi para a plataforma “Newsmax”, é intitulado “Trump conquista oito vitórias em sete anos na América Latina”. O artigo sustenta que a eleição brasileira pode se tornar “a disputa mais consequente do hemisfério” sob a influência de Trump, mencionando a polarização entre a família Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a publicação, as eleições no Brasil geram um “intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e sobre se a disputa será conduzida de uma forma considerada livre e justa por todos os lados”. O autor ainda avalia que, “caso o Brasil venha a se juntar à crescente lista de países que se movem para a direita, o mapa político da América Latina será drasticamente diferente”.

O artigo de Gizzi usa como gancho a recente vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia, apontado como o oitavo país da região a substituir, em sete anos, um governo de esquerda por um de centro-direita alinhado a Trump. O texto chega a comparar o americano a Simón Bolívar e finaliza com uma adaptação de seu slogan: “Trump está realmente tornando as Américas grandes novamente”.

A divulgação do artigo ocorre em um período de desgaste na relação entre os dois presidentes. Na semana passada, durante a cúpula do G7, Trump afirmou que o Brasil é um “país politicamente difícil”. Dias depois, em entrevista ao site Axios, disse que Lula é uma pessoa “muito volátil” e que “não poderia se importar menos” com ele.

Na mesma entrevista, contudo, Trump ponderou que todos os líderes mundiais são “inteligentes” para chegar a seus postos. “Você não chega a esse nível sem ser inteligente. Sabe quem é muito inteligente? O presidente Xi (Xi Jinping), da China. (...) Você não alcança esses níveis, governando um país, mesmo que seja um país pequeno, sem ter algo especial”, declarou.

Lula reagiu às declarações, afirmando esperar que o americano “não se meta nas eleições” do Brasil. “Ele (Trump) tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que quero é o respeito pelo Brasil”, disse o presidente.