O papa Leão XIV emitiu um alerta sobre a Inteligência Artificial (IA) na manhã desta quinta-feira (25), afirmando que a tecnologia não pode ser considerada “moralmente neutra”. A declaração foi divulgada nos canais oficiais do Vaticano.
Para o pontífice, o debate ético sobre a IA precisa ir além do seu uso para fins bons ou ruins. “Na verdade, toda ferramenta técnica representa escolhas e prioridades por meio daquilo que mede, ignora e otimiza, assim como pela forma que classifica pessoas e situações”, escreveu o líder católico.
Leão XIV defende que a análise deve se aprofundar no projeto dos sistemas. “O discernimento ético (...) deve também examinar como tal sistema é desenhado e qual visão da humanidade e da sociedade é inerente aos dados e aos modelos que o guiam”, completou.
O pronunciamento ocorre poucos dias após a publicação da “Carta Encíclica – Magnifica Humanitas”. Na obra, o papa analisa as novas tecnologias, fazendo paralelos com a Torre de Babel e a reconstrução de Jerusalém, e adota uma postura que recusa tanto o “entusiasmo cego” quanto o “medo paralisante”.
O papa também abordou a necessidade de responsabilização para garantir que a tecnologia seja usada para o bem. “Para que a IA respeite a dignidade humana e de fato sirva ao bem comum, sua responsabilidade deve ser claramente estabelecida desde o começo, a partir daqueles que idealizaram e desenvolveram tais sistemas, até aqueles que os utilizam e se apoiam sobre eles para tomar decisões concretas”, afirmou.
Segundo Leão XIV, é fundamental que haja transparência e mecanismos de controle. “É preciso identificar quem é responsável por tais escolhas, obter justificativas, monitorá-los e, quando necessário, os contrariar e remediar quaisquer danos”, concluiu.







