A Heineken anunciou nesta terça-feira (23) a nomeação do brasileiro Rafael Oliveira como seu novo presidente-executivo e presidente do conselho de administração. A decisão marca a primeira vez na história que a cervejaria holandesa, a segunda maior do mundo, escolhe um executivo de fora da companhia para a sua principal posição de liderança.
Oliveira, que ocupava o cargo de CEO na fabricante de café e chá JDE Peet's desde 2024, assumirá a nova função na Heineken a partir de 1º de outubro, com um contrato de quatro anos. A expectativa da empresa é que ele acelere a estratégia de crescimento definida para 2030.
A nomeação ocorre em um momento de mudanças no setor de bebidas, com diversas empresas buscando executivos externos para impulsionar as vendas. O antigo CEO da Heineken, Dolf van den Brink, deixou o cargo de forma inesperada em janeiro, após seis anos na liderança.
Em comunicado, a Heineken afirmou que a escolha de Oliveira foi unânime. “Após uma rigorosa busca global, o conselho de supervisão escolheu Rafa por sua combinação única de visão estratégica, experiência operacional e perspicácia financeira”, declarou a empresa. Após o anúncio, as ações da cervejaria registraram alta de aproximadamente 3%.
O novo presidente terá a tarefa de conduzir um plano que inclui o corte de 6 mil empregos e a recuperação dos volumes de vendas, em um contexto de previsão de queda na demanda global por cerveja. Outro desafio será buscar resultados comparáveis aos da sua principal concorrente, a Anheuser-Busch InBev.
O setor enfrenta ainda o aumento do custo de vida, mudanças nos hábitos de consumo e preocupações com os efeitos do álcool na saúde. Em seu comunicado, Oliveira se mostrou confiante. “Estou confiante de que aceleraremos o crescimento, impulsionaremos a produtividade e prepararemos a Heineken para o futuro, conquistando o coração dos consumidores em todo o mundo”, afirmou.
Antes de sua passagem pela JDE Peet’s, Oliveira atuou como presidente de mercados internacionais na Kraft Heinz, acumulando duas décadas de experiência em mercados desenvolvidos e emergentes. Analistas apontam que sua vivência em bens de consumo e mercados de capitais é uma vantagem, mas destacam que a falta de experiência direta no setor de cervejas representa um risco. “Como alguém de fora do setor de cerveja e da Heineken, ele terá muito a provar”, escreveram analistas do ING em relatório.









