O número de mortos em decorrência de dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela subiu para pelo menos 920, informou o Ministério da Saúde do país nesta sexta-feira, 26. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de desaparecidos já passa de 50.000.

Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com um minuto de diferença e levaram ao desabamento de dezenas de edifícios. O chefe do Escritório de Ajuda Humanitária da ONU, Tom Fletcher, afirmou que o número de mortos pode "aumentar consideravelmente". "Trata-se de uma operação de resgate extremamente completa. Há mais de 50.000 pessoas desaparecidas. Portanto, buscar sobreviventes entre os escombros é uma tarefa colossal", disse Fletcher à agência AFP.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência na quinta-feira. "É uma verdadeira tragédia. Estamos realizando esforços muito intensos para salvar o maior número de vidas que Deus nos permitir", afirmou. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que o governo contabilizou mais de 200 pessoas presas nos escombros.

A ajuda internacional começou a chegar ao país. Equipes de El Salvador e do México já estão em Caracas, enquanto missões do Chile e da Suíça também foram reportadas pela imprensa local. O governo dos Estados Unidos ofereceu 150 milhões de dólares e apoio logístico, com um general do Comando Sul, Kevin J. Jarrard, em Caracas para supervisionar as operações.

O governo do Brasil enviou nesta sexta-feira um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) com uma missão humanitária. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que outro voo partirá no sábado, levando um hospital de campanha, purificadores de água e medicamentos. Países como Espanha, Alemanha, Itália, China e Índia também prometeram enviar equipes.

O Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros, um homem e uma mulher. O governo de Portugal informou sobre a morte de nove cidadãos portugueses ou descendentes, além de 56 desaparecidos. Também foram confirmadas as mortes de três espanhóis, dois cidadãos chineses e um ítalo-venezuelano.