O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu uma nova frente na guerra comercial ao anunciar, nesta sexta-feira (26), que pode impor tarifas de 100% sobre produtos de países que decidirem taxar os serviços digitais de empresas americanas. A declaração eleva a pressão sobre governos da Europa que discutem formas de tributar gigantes como Google, Meta, Amazon, Apple e Microsoft.
Em uma publicação em suas redes sociais, Trump afirmou que qualquer nação que adotar esse tipo de imposto enfrentará a tarifa retaliatória imediatamente. Segundo ele, a medida se sobreporá a qualquer acordo comercial existente ou em fase de negociação.
A disputa gira em torno do chamado imposto sobre serviços digitais. Governos europeus argumentam que as grandes plataformas de tecnologia faturam bilhões em seus mercados, mas pagam poucos impostos locais. Isso ocorre porque as empresas operam digitalmente e conseguem concentrar seus lucros em países com tributação mais baixa, como Irlanda e Luxemburgo, reduzindo a arrecadação nos locais onde a receita é gerada.
A proposta de um imposto local ganhou força com a demora nas negociações para uma reforma tributária global, conduzida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Países como França, Itália, Espanha, Reino Unido e Áustria já implementaram ou discutem mecanismos de cobrança próprios.
Para o governo americano, esses impostos são discriminatórios, pois atingem principalmente as grandes companhias de tecnologia dos Estados Unidos. Embora não tenha citado alvos específicos, Trump mencionou que "diversos países europeus" estariam próximos de aplicar novas taxas sobre as empresas americanas.
A ameaça surge em um momento delicado nas relações entre os Estados Unidos e a União Europeia, que já negociam soluções para disputas envolvendo aço, alumínio e subsídios. Uma tarifa de 100% representaria uma escalada significativa e poderia comprometer esses diálogos.
Desde 2021, mais de 130 países negociam, sob a coordenação da OCDE, uma reforma nas regras de tributação de multinacionais. O objetivo é redistribuir a arrecadação para os países onde as receitas são geradas e fixar um imposto mínimo global. O avanço lento do acordo, no entanto, tem levado nações a buscarem soluções próprias, cenário que a nova ameaça de Trump pode complicar ainda mais.








