Barueri, SP
Economia

CEO mais jovem de gestora no Brasil relata preconceito no mercado financeiro

Aos 29 anos, Verônica Pimentel, fundadora da Oryx Capital, afirma que por vezes precisa levar um colega homem a reuniões para que clientes sintam mais confiança para investir.

Redação O Informantte·30/06/2026, 17:38·2 min de leitura
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CEO mais jovem de gestora no Brasil relata preconceito no mercado financeiro

Aos 29 anos, a economista Verônica Pimentel ocupa uma posição de destaque no mercado financeiro brasileiro. Ela é a fundadora e CEO da Oryx Capital, o que a torna a mais jovem executiva no comando de uma gestora de recursos no país. Apesar do sucesso, ela relata enfrentar desafios e preconceito em um ambiente predominantemente masculino.

Em entrevista recente, Pimentel revelou que, para fechar negócios, por vezes sente a necessidade de levar um colega homem às reuniões. Segundo ela, alguns clientes "sentem mais confiança para investir o dinheiro" quando um homem está presente. Ela aponta que, ao ir sozinha, já enfrentou duas situações: tentativas de aproximação não profissional por parte de clientes e um preconceito velado, no qual não a enxergam como alguém experiente por ser uma mulher jovem.

Nascida em Limeira, no interior de São Paulo, em uma família de classe média baixa, Verônica Pimentel mudou-se para a capital paulista aos 16 anos. Formou-se em Economia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde estudou como bolsista, e ingressou no mercado financeiro durante a graduação. Sua formação inclui ainda um Programa de Desenvolvimento de Liderança pela Harvard Business School, em 2022, onde estruturou o projeto de sua empresa.

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A Oryx Capital, fundada por ela, é especializada em conectar investidores locais a ativos internacionais. A equipe da empresa é composta por cerca de 20 colaboradores.

A trajetória de Pimentel também foi marcada por dificuldades pessoais. Criada pela mãe, que era técnica de enfermagem, ela conviveu com a dependência química de uma irmã e relatou ter sofrido abusos na infância por parte do avô materno. A economista afirma que a terapia foi fundamental para processar os traumas. "Hoje sou uma pessoa adulta que consegue falar: ‘Não foi minha culpa, não foi culpa da minha mãe, não foi culpa das minhas irmãs. Foi culpa dele’", declarou.

A percepção de Pimentel sobre a desigualdade de gênero no setor encontra respaldo em números. Um levantamento de 2025 da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) indica que as mulheres representam 35,4% dos profissionais do mercado financeiro, mas ocupam apenas 5,4% dos cargos de liderança máxima.

A CEO conta que, para se adaptar ao "jogo corporativo", desenvolveu um "exercício constante de diplomacia". Ela diz evitar saltos altos e prefere blazers fechados para não ter sua feminilidade como um fator de resistência. Pimentel também revelou que já precisou esconder suas tatuagens e até removeu algumas a laser para se adequar a ambientes de trabalho anteriores.

Outro desafio apontado por ela é a dificuldade em recrutar mulheres para cargos sêniores. Recentemente, ao abrir uma vaga para a diretoria de portfólio, Pimentel afirma não ter recebido candidaturas femininas. "Quando aparece uma mulher, muitas vezes ela não tem a experiência de que eu preciso. E por que ela não tem? Porque provavelmente enfrentou barreiras antes. Um problema vai desencadeando outro e vira uma bola de neve", avalia.

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