Uma pesquisa científica revelou que esquilos terrestres de 700 mil anos atrás tinham uma dieta que incluía mamutes e baleias. A conclusão veio da análise de fezes fossilizadas, conhecidas como coprólitos, encontradas em excelente estado de conservação em Yukon, no Canadá.
O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, analisou o DNA ambiental antigo (aeDNA) presente nas amostras. Em todos os 13 coprólitos de esquilos do período Pleistoceno, os pesquisadores identificaram material genético de mamutes-lanosos (Mammuthus primigenius).
Apesar da descoberta, os cientistas esclarecem que não se tratava de uma caça ativa. Os esquilos não atacavam os mamutes. A explicação mais provável é que os pequenos roedores eram carniceiros oportunistas, alimentando-se de carcaças de grandes animais que encontravam, o que justificaria a ingestão de tecidos de mamute. Outra possibilidade considerada é que parte do DNA tenha vindo do ambiente local, como solo e sedimentos.
Essa dieta rica em proteína e gordura era uma estratégia de sobrevivência. O consumo de carniça, incluindo também restos de morsas e baleias, era essencial para que os esquilos acumulassem reservas de energia suficientes para suportar os longos períodos de hibernação no rigoroso inverno do Ártico.
Além de se alimentarem de carcaças, os esquilos do gênero Urocitellus eram onívoros e caçavam ativamente uma variedade de presas para complementar sua alimentação. As evidências apontam para a predação de outros roedores, como lemingues e ratos-do-campo, e de filhotes de lebres-americanas (Lepus americanus).
A dieta também incluía ovos e filhotes de aves marinhas e passeriformes, além de invertebrados como gafanhotos, besouros, formigas e aranhas. O estudo aponta que, em situações extremas, os animais poderiam praticar infanticídio e canibalismo.
Para os pesquisadores, as amostras de fezes fossilizadas funcionam como um "arquivo biológico de alta resolução". O material genético bem preservado oferece um retrato detalhado dos ecossistemas antigos, complementando informações obtidas tradicionalmente através de ossos e sedimentos. A pesquisa também identificou linhagens inéditas de esquilos, contribuindo para o entendimento da evolução das espécies no Ártico.






