Uma equipe internacional de cientistas está debruçada sobre um mistério cósmico: uma explosão de origem desconhecida, detectada em 5 de março de 2024 pela sonda chinesa Einstein Probe (EP). O estudo, que reúne pesquisadores da University of Southampton (Reino Unido), do Purple Mountain Observatory e do Institute of High Energy Physics (China), detalha a análise do fenômeno, batizado de EP240305a.
A explosão se manifestou em dois pulsos distintos de raios-X. O primeiro, mais curto e intenso, durou cerca de 120 segundos. Após um intervalo de silêncio de aproximadamente 200 segundos, um segundo pulso, mais fraco porém mais longo, foi registrado, com duração de 250 segundos.
Uma observação curiosa dos cientistas foi que o momento de maior energia da radiação, chamado de "pico de dureza", ocorreu entre 10 e 20 segundos antes do brilho máximo em ambas as explosões. Embora o sinal de raios-X tenha desaparecido rapidamente, o evento gerou jatos de matéria em altíssima velocidade, que foram observados por telescópios de rádio durante dois meses.
A equipe de pesquisadores, agindo como "detetives espaciais", começou a descartar as causas mais prováveis. A primeira hipótese, de ser uma explosão de uma estrela comum, foi afastada porque os sinais de rádio persistiram por semanas, muito além dos minutos ou horas típicos de flares estelares.
Também foi descartada a possibilidade de ser um evento de perturbação de maré (TDE), quando um buraco negro devora uma estrela. Esses fenômenos costumam brilhar por meses, mas a intensidade do EP240305a diminuiu 100 vezes em apenas dois dias, uma queda considerada extremamente rápida.
A principal conclusão do estudo é que o EP240305a se trata de uma Explosão de Raios Gama (GRB) do tipo "escura". O fato de outros satélites especializados não terem detectado o evento sugere duas possibilidades: ou o jato de energia da explosão não estava apontado diretamente para a Terra, ou ele foi "sufocado" por densas nuvens de material cósmico ao seu redor.






